

Desde 2006, a lavagem da escadaria e da Rua Treze de Maio, no bairro do Bixiga, no centro da capital paulista, é um manifesto contra o que chamam de falsa abolição. “Com as nossas águas, cantos, corpos e tambores, realizamos a lavagem do 13 de Maio no ano de 2025, reafirmando que estamos vivas, organizadas e em marcha! Que cada passo ecoe memória, que cada canto reverencie nossa ancestralidade e que cada gota de água sagrada lave as mentiras do passado e abra caminhos para um futuro de dignidade, justiça e liberdade”, diz o manifesto do bloco, lido durante a cerimônia. Todos os anos, as mulheres que participam do Ilú Obá de Min tocam seus tambores, fazem discursos, dançam e lavam a Rua Treze de Maio, nesse ato simbólico e político que ocorre sempre no Dia da Abolição da Escravatura, instituída pela Lei Áurea. “A gente está aqui nessa história de continuidade da lavagem. A primeira lavagem foi feita há 36 anos atrás pelo Orí Axé, que é o bloco que é ancestral do Ilú. Há 19 anos, o Ilú recupera essa tradição do Orí Axé, fazendo a lavagem, porque a gente tem a consideração de que a abolição foi falsa. Estamos aqui lavando a mentira da abolição”, disse Daiane Pettine, diretora executiva do Ilú Obá de Min.Em entrevista à Agência Brasil, Daiane Pettine disse que a lavagem e o cortejo pelas ruas do Bixiga são “uma maneira de destacar essas pautas que a gente tem sobre a valorização e a real necessidade de direitos da população negra”. Além disso, destacou, essa é a maneira de se perpetuar a cultura negra.