
Um conjunto de coletivos e movimentos sociais convocou um ato público em frente à sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para esta sexta-feira (23/10/2026), às 13h. A mobilização protesta contra a decisão liminar do ministro André Mendonça, que determinou a interrupção do impulsionamento pago de peças publicitárias da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) envolvendo o senador e candidato presencial Flávio Bolsonaro (PL) no caso Ana Clara.
O protesto reúne integrantes da União Brasileira de Mulheres (UBM), da Campanha Faça Bonito, do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes e do coletivo Criança Não É Mãe. Os organizadores alegam que a medida do magistrado configura uma restrição indevida ao direito de acesso do eleitorado a informações sobre a atuação jurídica e parlamentar do postulante ao Planalto.
Na fundamentação da decisão que barrou o impulsionamento da propaganda, o ministro André Mendonça argumentou que a legislação eleitoral proíbe o uso de recursos financeiros para impulsionar conteúdos de caráter estritamente negativo. O magistrado destacou que a peça publicitária focava essencialmente na desqualificação do adversário, enfatizando que a vedação do TSE recai sobre o meio de difusão pago, sem adentrar preliminarmente no mérito da veracidade dos fatos narrados.
Por outro lado, lideranças do movimento sustentam que o eleitor possui o direito de tomar conhecimento sobre o histórico profissional dos candidatos. As manifestantes apontam que a atuação de Flávio Bolsonaro como advogado em peças direcionadas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) na defesa do policial militar envolvido no caso é um elemento de interesse público e relevância para o [processo eleitoral de 2026].
A criança Ana Clara Gomes, de apenas cinco anos de idade, foi morta em 2021 ao ser atingida por um disparo de fuzil na porta de sua residência, localizada na comunidade do Monã Pequeno, durante uma operação policial. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o policial militar Bruno Dias Delaroli por homicídio qualificado, sob a acusação de assumir o risco de produzir a morte.
O caso foi encaminhado para julgamento em júri popular pela Justiça do Rio. Em 2024, enquanto exercia o mandato no Senado Federal, Flávio assinou peça jurídica vinculada à defesa do réu com o objetivo de reverter a decisão de submetê-lo ao Tribunal do Júri perante as instâncias superiores. A tramitação do processo e as decisões da Corte Eleitoral seguem sob acompanhamento nos [boletins do TSE].
O desdobramento do julgamento no plenário do tribunal deve ditar os limites do uso de trâmites judiciais durante o segundo turno das [Eleições Presidenciais no Brasil].
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