Quando se fala do legado do
Império Romano, pensamos logo nas
estradas, nos
aquedutos e no
latim. Mas um dos impactos menos lembrados — e ainda visível em diversas paisagens europeias — é a transformação das florestas através da
introdução da castanheira-doce em regiões onde ela já havia desaparecido. Pesquisadores da
Suíça descobriram que os romanos, interessados na madeira de rápido crescimento da castanheira, espalharam a espécie por toda a
Europa. Técnicas como a
talhadia, que estimula o rebrotamento, garantiam madeira constante para construções.
O fruto, embora comido, era secundário diante da utilidade da árvore.
A expansão agrícola do Império
Segundo
Patrik Krebs, do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Florestal, Roma promoveu a circulação de saberes agrícolas. A prática de cultivar árvores intencionalmente se espalhou, mudando paisagens em
Suíça,
França e
Alemanha. Análises de pólen mostram o aumento repentino de castanheiras por volta do ano 0 d.C., auge do império. No
cantão de Ticino, castanheiras de até
sete metros de circunferência ainda crescem, descendentes das introduzidas por Roma.
A persistência das castanhas
Mesmo após a queda de Roma, a castanha ganhou protagonismo na
Idade Média, especialmente em regiões montanhosas. Pomares bem cuidados podiam manter árvores por até
mil anos, enquanto na floresta seu ciclo raramente ultrapassava 200. Hoje, cerca de
2,5 milhões de hectares da Europa ainda abrigam castanheiras-doces.
Mudanças climáticas, doenças e o abandono rural ameaçam essa herança. Mas
festivais e
trilhas nas montanhas mantêm viva a memória dessa aliança entre povos e árvores.
*Com informações de BBC