Conecte-se conosco

Meio Ambiente

Projeto solar comunitário transforma lixão tóxico em fonte de energia e economia em Illinois

Publicado

em

Antigo aterro sanitário do programa Superfund em Waukegan agora abriga 9,1 megawatts de potência, beneficiando mil famílias de baixa renda e o distrito escolar local

Uma área historicamente poluída e inutilizável em Waukegan, ao norte de Chicago, ganhou um novo propósito que une justiça ambiental e alívio financeiro. O Projeto Solar Yeoman, construído sobre o antigo aterro sanitário de Yeoman Creek — um local do programa federal Superfund devido à alta contaminação industrial —, entrou em operação recentemente. Com capacidade de 9,1 megawatts, a fazenda solar fornece energia limpa para cerca de mil residências e para o distrito escolar local, garantindo descontos diretos nas contas de luz de comunidades que enfrentam altos custos de energia.

A iniciativa é um exemplo de como terrenos degradados (conhecidos como brownfields) podem ser convertidos em ativos comunitários. Como a construção de moradias ou escolas é proibida no local devido aos resíduos químicos no solo, a energia solar tornou-se a única opção viável de desenvolvimento. O projeto foi impulsionado pelo programa estadual Illinois Solar for All, que incentiva a energia limpa em áreas de baixa renda, permitindo que residentes como Fredy Amador, um organizador local, economizem cerca de US$ 300 anuais sem precisar instalar painéis em seus próprios telhados.

Do passivo ambiental ao ativo renovável

O projeto supera desafios técnicos e históricos para beneficiar a cidade:

  • Recuperação de Terreno: O aterro de Yeoman Creek, contaminado desde a década de 1950, foi limpo em 2005, mas permanecia vago e sob monitoramento constante.

  • Benefício Educacional: O distrito escolar de Waukegan, proprietário do terreno, utiliza 40% da energia produzida e recebe pagamentos pelo arrendamento da área.

  • Justiça Ambiental: Waukegan, um centro industrial com cinco locais do Superfund, lidera a transição após o fechamento de uma grande usina de carvão em 2022.

  • Engenharia Especializada: A CleanCapital instalou os painéis seguindo normas rígidas da EPA para não danificar a camada de solo que veda os resíduos tóxicos.

Impacto na economia doméstica

Para os moradores de Waukegan, a adesão ao projeto solar comunitário representa um fôlego no orçamento familiar. Fredy Amador, que recrutou vizinhos e membros de sua igreja para o programa, destaca que a economia gerada ajuda a cobrir gastos básicos com alimentação e outros serviços públicos. Ao contrário da energia solar residencial, o modelo comunitário democratiza o acesso, permitindo que locatários ou pessoas que vivem em condomínios participem da transição energética. Atualmente, o Yeoman Solar é o maior projeto deste tipo no território da concessionária ComEd, servindo de modelo para outros aterros fechados nos Estados Unidos.


Com informações: Grist e Mídia Canária

Anúncio

Meio Ambiente

Como os veículos elétricos podem salvar a rede elétrica e reduzir sua conta de luz

Publicado

em

Por

Algoritmos de carregamento inteligente e tecnologia V2G transformam carros parados em “baterias gigantes” para evitar colapsos no sistema de energia

A transição global para a eletrificação — com a substituição de fogões a gás por indução e carros a combustão por elétricos — impõe um desafio sem precedentes às concessionárias de energia. O aumento do consumo residencial, especialmente no início da noite, ameaça sobrecarregar redes elétricas já deficientes. No entanto, um novo relatório do Brattle Group revela que os veículos elétricos (VEs), antes vistos como um fardo para o sistema, podem ser a solução para estabilizar a rede e economizar bilhões de dólares em infraestrutura.

A estratégia central é o carregamento gerenciado ativo. Em vez de todos os proprietários carregarem seus carros assim que chegam em casa, algoritmos distribuem a demanda ao longo da madrugada. No estado de Washington, esse modelo economizou até US$ 400 por veículo anualmente para os motoristas, garantindo que a bateria estivesse cheia pela manhã. Além disso, a tecnologia V2G (veículo-para-rede) permite que os carros enviem energia de volta para a rede durante picos de demanda, funcionando como uma reserva estratégica que pode adiar atualizações caras no sistema por até uma década.

Inovações no gerenciamento de energia

O setor de utilidade pública está adotando duas abordagens principais para equilibrar a carga:

  • Tarifas por Tempo de Uso: Concessionárias cobram mais caro entre 16h e 21h e reduzem os preços após as 21h para incentivar o consumo noturno.

  • Carregamento Ativo: Aplicativos aprendem a rotina do motorista e iniciam a recarga apenas nos horários de menor estresse da rede, evitando picos súbitos.

  • Tecnologia V2G: Transforma frotas de veículos (como ônibus escolares) em fontes de energia de reserva, reduzindo a necessidade de construir usinas caras.

  • Economia Escalonada: O gerenciamento permite que a rede acomode o dobro de VEs antes de precisar de reformas estruturais, poupando o bolso do contribuinte.

O “balé” das baterias e o futuro da rede

O grande avanço esperado para 2026 é a integração total entre o carregamento inteligente e o fornecimento de energia para as casas. O sistema decide, de forma autônoma, descarregar uma pequena parte da bateria do carro às 18h para alimentar a residência e recarregá-la às 3h da manhã, quando a energia é abundante e barata. Esse ciclo não apenas reduz a conta de luz individual, mas retira a pressão sobre os transformadores de bairro, garantindo a estabilidade do fornecimento para toda a comunidade.


Com informações: Grist e Brattle Group

 

Anúncio

Continue lendo

Meio Ambiente

Holocausto climático: o oceano como peça-chave para evitar o ponto de não retorno

Publicado

em

Por

Pesquisadores defendem a implementação do programa “Florestas Marinhas para Sempre” para captar recursos e restaurar ecossistemas vitais como recifes de corais e florestas de algas

O planeta enfrenta uma ameaça sem precedentes de atingir o “ponto de não retorno” em ecossistemas fundamentais, como a Amazônia e os recifes de corais. Segundo especialistas, o aquecimento recorde registrado em 2025 e a acidificação dos oceanos podem levar ao colapso total dos corais em menos de 15 anos. Diante deste cenário de “holocausto climático”, a COP30, realizada em Belém, marcou um momento histórico ao colocar o oceano no centro da agenda climática global. A principal aposta para mitigar esses danos é o programa Florestas Marinhas para Sempre, iniciativa publicizada em 2025 que busca financiamento multilateral para a conservação e restauração da biodiversidade costeira e marinha.

Inspirado no fundo para florestas tropicais, o programa foca no papel das algas e manguezais como “soluções azuis”. As florestas de algas, por exemplo, são potentes sumidouros de carbono e ajudam a reduzir a acidificação da água, protegendo a maricultura e a segurança alimentar de comunidades artesanais. O desafio agora reside na governança e no financiamento: enquanto o mundo gasta US$ 2,7 trilhões em armamentos, a agenda oceânica precisa de US$ 116 bilhões anuais para ser efetiva. A implementação do “Pacote Azul” é vista como a última oportunidade para honrar os compromissos da Década do Oceano e da Restauração até 2030.

O papel das florestas azuis na resiliência climática

Ecossistemas marinhos oferecem serviços ambientais essenciais para a sobrevivência humana:

  • Mitigação e Sequestro: Florestas de algas e manguezais absorvem grandes quantidades de CO₂, ajudando a frear o aquecimento global.

  • Segurança Alimentar: A aquicultura multitrófica integra a produção de biomassa marinha com alimentos terrestres, gerando emprego e renda.

  • Proteção Costeira: Recifes e gramas marinhas reduzem riscos de erosão e alagamentos causados pela subida do nível do mar.

  • Inovação Médica: A biodiversidade marinha é fonte para o desenvolvimento de novos fármacos e princípios ativos essenciais para a ciência.

Próximos passos e desafios políticos

A viabilização do programa depende de uma mudança de prioridades no orçamento nacional e internacional:

Iniciativa Objetivo Principal
Programa Florestas Marinhas Arrecadação de fundos para conservação e restauração costeira.
Planos de Ação Aquática (PAS) Fortalecer sistemas alimentares aquáticos resilientes à acidificação.
Pacote Azul (COP30) Acelerar soluções baseadas na natureza e elevar a soberania nacional sobre os mares.
Letramento Oceânico Informar a sociedade sobre os riscos da exploração de combustíveis fósseis.

Com informações: ECO

 

Anúncio

Continue lendo

Meio Ambiente

Fim da Moratória da Soja na Amazônia ameaça preservação da floresta após 20 anos

Publicado

em

Por

Decisão de grandes exportadores de abandonar o acordo ocorre após nova lei em Mato Grosso extinguir incentivos fiscais para empresas que restringem compra de áreas desmatadas

Um dos pilares da conservação ambiental no Brasil, a Moratória da Soja na Amazônia, enfrenta o seu momento mais crítico desde que foi criada, em 2006. O acordo voluntário, que proíbe empresas de comprar soja cultivada em áreas desmatadas após 2008, está sendo abandonado pelas principais gigantes do setor, como Cargill, Bunge e ADM. A decisão foi anunciada pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) após a entrada em vigor, em 1º de janeiro de 2026, de uma lei em Mato Grosso que retira benefícios fiscais de empresas que aderem ao pacto. Para especialistas, o movimento é “autodestrutivo” e pode fechar portas para o produto brasileiro no mercado internacional.

O fim da moratória ocorre em um cenário de forte pressão dos produtores rurais, que classificam o acordo como um entrave econômico e um “cartel de compras” liderado por multinacionais. No entanto, ambientalistas alertam que a ausência do monitoramento rigoroso exercido nas últimas duas décadas coloca em risco vastas áreas de floresta e terras indígenas não demarcadas. Sem o selo da moratória, o desmatamento pode acelerar, transformando sumidouros de carbono em fontes de emissão e alterando o ciclo de chuvas, o que, ironicamente, prejudica a produtividade das próprias lavouras de soja a longo prazo.

Impactos e o novo cenário regulatório

A ruptura do acordo altera a dinâmica de sustentabilidade no agronegócio:

  • Pressão em Mato Grosso: O maior estado produtor de soja do país agora pune financeiramente as empresas que mantêm a restrição ao desmatamento legal.

  • Risco de Mercado: O abandono do pacto pode gerar barreiras comerciais, especialmente na Europa, onde consumidores exigem cadeias de suprimento livres de destruição florestal.

  • Crise Climática: A perda de cobertura vegetal na Amazônia reduz a evapotranspiração, diminuindo o volume de chuvas necessário para a agricultura.

  • Promessas Corporativas: Empresas como a Cargill afirmam manter metas individuais de desmatamento zero para 2030, mas especialistas alertam que esses prazos permitem anos de expansão sobre florestas nativas.

Contradição política e o legado de monitoramento

O enfraquecimento da moratória ocorre logo após a COP30 em Belém, onde o Brasil reafirmou seu papel de liderança climática. Para Ane Alencar, diretora do IPAM, a decisão da Abiove sinaliza que o setor privado está sentindo menos pressão para agir em favor da preservação, possivelmente influenciado por mudanças políticas globais. Embora a Abiove defenda que o Código Florestal será suficiente para o controle ambiental, o mercado e as ONGs temem que o monitoramento privado, considerado mais ágil e rigoroso que o estatal, deixe um vácuo que resultará em novos recordes de desmatamento na região amazônica.


Com informações: Grist

 

Anúncio

Continue lendo
Anúncio


Em alta

Verified by MonsterInsights