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Trem da Morte: com vista impressionante e passado sombrio, este trajeto une Brasil aos Andes

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O percurso tem cerca de 1.600 km ao todo e passa por paisagens impressionantes, mas recebe o nome de um passado sombrio

Um antigo trajeto de trem liga a cidade de Puerto Quijarro, na fronteira entre Brasil e Bolívia, a apenas 11 quilômetros de Corumbá (MS), a Santa Cruz de la Sierra, capital do departamento de Santa Cruz, nas planícies tropicais às margens do Rio Piraí.

O percurso, que tem cerca de 1.600 km ao todo, passa por paisagens impressionantes — entre rios e baías, a fauna local composta por aves e jacarés, as planícies pantaneiras brilhando verdes sob o sol, desfiladeiros e pontes antigas. Parte da linha férrea que une Brasil à Bolívia (o trajeto de Corumbá até Puerto Quijarro pode ser feito a pé) passa por Machu Picchu, a cidade “perdida” de um dos maiores impérios pré-colombianos da América Latina, os Incas.

A construção se iniciou em 1912, e a linha começou a funcionar ao longo dos anos 1950. Mas o nome do trajeto revela um passado sombrio: o “Trem da Morte”, que já passou por privatizações e foi quase inteiramente abandonado no começo dos anos 2000, recebeu essa alcunha por um evento do século 20: o transporte de pessoas que sofriam de febre amarela e hanseníase (doença infecciosa que afeta a pele e os nervos periféricos, conhecida por causar lesões). 

Mas esse não foi o único motivo: por percorrer trechos isolados em termos de infraestrutura, e frequentemente sem a segurança adequada, a linha era conhecida por ataques esporádicos de povos nativos e comunidades por onde passava, além de registrar, muitas vezes, assaltos e acidentes.

O trajeto também era perfeito para o transporte de substâncias ilegais pela fronteira, e os trilhos do trem eram usados para o escoamento da mercadoria.

A viagem completa pelo Trem da Morte, do início ao fim das operações, durava aproximadamente uma semana — um tempo longo de espera que favorecia as más condições compartilhadas com os doentes transportados por ali.

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Apesar da fama, o trajeto que liga Brasil a Bolívia já serviu de inspiração para uma composição de Geraldo Roca e Paulo Simões que, na década de 1970, foi selecionada como símbolo do Mato Grosso do Sul. A música, Trem do Pantanal, fala sobre o caminho “rumo a Santa Cruz de la Sierra”, enquanto o “velho trem atravessa o Pantanal” sobre os trilhos obscuros (mas encantadores) do percurso.

Há duas camadas na música, conta um artigo de Arlinda Cantero Dorsa, pesquisadora em Letras e Comunicação:

“Na primeira estrofe, o trem transporta fugitivos da guerra; na segunda, a expressão linguística portal é o código de comunicação entre o fugitivo da revolução e a família que ficou em uma região do Brasil; e, na terceira estrofe, retorna à expressão ‘fugitivo da guerra’, com uma informação nova que mostra seu estado emocional representado pelo segmento linguístico medo […].”

Para ela, a interpretação dos três segmentos revela também três personagens distintos marcados pelo trem de fronteira: os nativos sul-mato-grossenses, que desbravam a “extensa região geográfica” e contribuem para o surgimento de novas cidades, o desenvolvimento comercial e o transporte de mercadorias; os empreendedores que tentavam lucrar com o trajeto; e, por fim, os traficantes de drogas, que aproveitam a travessia para transportar ilícitos pela fronteira.

Antes, o Trem da Morte oferecia uma interligação com a cidade de Bauru, no interior paulista, que levava até Corumbá. Mas essa linha hoje está reservada ao transporte de cargas.

Quanto ao restante da viagem, que cruza a fronteira rumo à Bolívia, é feita pela Ferroviaria Oriental no Trem da Morte e dura, em média, 17 horas até Santa Cruz de la Sierra. O Expresso Oriental, como é chamado oficialmente, tem cabines com televisão, banheiros químicos e até ar-condicionado, mas é marcado por pequenos inconvenientes — como pessoas tentando aplicar golpes (inclusive na venda de tickets de viagem), e bagagens (e crianças) espalhadas pelo chão, além de um sacolejo natural.

Atualmente, no entanto, o Trem da Morte parece não estar operando com transporte de passageiros. O serviço foi suspenso durante a pandemia de COVID-19 e, até o momento, não foi retomado.


Fonte: Revista Fórum

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Brasil

Caso Cão Orelha: Adolescentes investigados estão em viagem para a Disney

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Polícia Civil de Santa Catarina monta esquema de segurança no aeroporto para evitar linchamentos no retorno dos jovens; três adultos foram indiciados por coação de testemunhas

O caso que chocou o país pela crueldade contra animais em Florianópolis ganhou um novo capítulo. Dois dos quatro adolescentes investigados pela morte do cão Orelha e pela tentativa de afogamento de outro cachorro, batizado de Caramelo, estão atualmente nos Estados Unidos em uma viagem de formatura para a Disney.

Segundo a Polícia Civil, a viagem já estava planejada há cerca de um ano e não teria relação direta com a fuga das investigações. No entanto, o retorno dos jovens preocupa as autoridades: o delegado-geral Ulisses Gabriel confirmou que será montada uma operação especial no aeroporto de Florianópolis para garantir a segurança dos 115 estudantes que compõem o grupo, já que há convocações de protestos inflamados para a data do desembarque.

Detalhes das agressões e novas provas

As investigações conduzidas pela Delegacia de Proteção ao Animal revelaram que os atos de “pura maldade”, como definiu o governador Jorginho Mello, foram registrados por câmeras e confirmados por testemunhas.

  • Cão Orelha: O animal não resistiu aos ferimentos após o ataque brutal dos jovens.

  • Cão Caramelo: Outro animal foi arremessado ao mar pelo grupo. Felizmente, ele conseguiu escapar e foi adotado pelo próprio delegado-geral da Polícia Civil catarinense.

  • Perfil dos envolvidos: O governador destacou que os suspeitos são jovens de “famílias estruturadas”, reforçando que “não importam os sobrenomes, a lei será cumprida”.

Coação de testemunhas e influência

A Polícia Civil indiciou nesta terça-feira (27) três adultos que estariam tentando obstruir a justiça. De acordo com a delegada Mardjoli Valcareggi, os indiciados utilizaram frases de efeito como “você sabe com quem está falando?” e fizeram ameaças diretas, incluindo a destruição de veículos, para intimidar quem presenciou os crimes.

O caso tomou proporções nacionais, mobilizando celebridades e ativistas da causa animal, como Luisa Mell, que acompanhou a última coletiva de imprensa na sede da Polícia Civil.

O que diz a Lei (ECA) para casos de maus-tratos:

Como os principais agressores são menores de idade, o processo segue as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA):

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  1. Ato Infracional: A agressão a animais é tipificada como crime de maus-tratos, mas para menores é tratada como ato infracional.

  2. Medidas Socioeducativas: Podem variar de advertência e prestação de serviços à comunidade até a internação em casos graves.

  3. Responsabilidade dos Pais: Os responsáveis podem responder civilmente pelos danos causados pelos filhos.

Palavras-Chave: caso cão orelha Florianópolis, maus-tratos animais Santa Catarina, adolescentes Disney cão Orelha.


Com informações: ICL Notícias, FolhaPress, Polícia Civil de SC

 

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Brasil

Atenção, Aposentados: Prazo para recuperar descontos indevidos do INSS é prorrogado até março

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Medida garante tempo extra para quem foi prejudicado por instabilidades no sistema; cerca de 4,2 milhões de brasileiros já receberam o ressarcimento de mensalidades não autorizadas

O Governo Federal anunciou a prorrogação do prazo para que aposentados e pensionistas do INSS solicitem a devolução de descontos indevidos em seus benefícios. Agora, os segurados têm até o dia 20 de março de 2026 para registrar o pedido de ressarcimento.

A decisão foi tomada após o portal e o aplicativo Meu INSS apresentarem instabilidades técnicas que dificultaram o acesso na última semana. Além disso, uma paralisação programada nos sistemas da Dataprev entre os dias 28 e 30 de janeiro motivou a extensão do prazo para garantir que nenhum beneficiário seja prejudicado.

Balanço do Ressarcimento

O esforço para corrigir cobranças abusivas de associações e entidades já apresenta resultados expressivos:

  • 4,2 milhões de beneficiários já foram ressarcidos.

  • R$ 2,8 bilhões já retornaram ao bolso dos aposentados.

  • 850 mil pessoas ainda estão habilitadas a solicitar a devolução.

Quem tem direito ao acordo?

O ressarcimento é destinado a quem se enquadra nos seguintes critérios estabelecidos pelo INSS:

  1. Período: Sofreu descontos de mensalidades associativas não autorizadas entre março de 2020 e março de 2025.

  2. Tentativa de Solução: Contestou o valor junto à entidade e não obteve resposta em 15 dias úteis, ou recebeu uma resposta com provas inválidas (como assinaturas falsas).

  3. Processos Judiciais: Quem já possui ação na justiça pode aderir ao acordo administrativo, desde que desista do processo judicial.

Passo a Passo: Como solicitar a devolução

Para garantir o seu dinheiro de volta, siga este roteiro simplificado:

  1. Registre a Reclamação: Acesse o “Meu INSS”, ligue para o 135 ou vá a uma agência dos Correios.

  2. Aguarde 15 dias: É o prazo para a entidade responder. Se não houver retorno ou a resposta for irregular, o sistema liberará a opção de acordo.

  3. Assine o Acordo: A adesão deve ser feita exclusivamente pelo Meu INSS ou nos Correios (o telefone 135 não faz este serviço).

    • No app, vá em “Consultar Pedidos” -> “Cumprir Exigência”.

    • No final da página, marque “Sim” no campo “Aceito receber” e envie.

Alerta de Segurança

O INSS reforça que não entra em contato por telefone ou WhatsApp para pedir senhas ou dados bancários para este ressarcimento. Todo o processo deve ser feito pelos canais oficiais para evitar novos golpes.

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Com informações: Ministério da Previdência Social, PT e Agência Brasil

 

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Marco Histórico: Anvisa aprova por unanimidade o cultivo de Cannabis Medicinal no Brasil

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Decisão tomada nesta quarta-feira (28 de janeiro de 2026) cumpre determinação do STJ e estabelece regras rigorosas para o plantio por empresas, pesquisas científicas e associações de pacientes.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (28 de janeiro de 2026), as novas normas que regulamentam o cultivo e a produção de cannabis para fins exclusivamente medicinais e farmacêuticos no Brasil. A decisão, tomada durante a 1ª Reunião da Diretoria Colegiada do ano, é uma resposta direta à determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia fixado o prazo limite de março de 2026 para a resolução do tema.

Com as novas resoluções, o Brasil deixa de depender exclusivamente da importação de insumos, permitindo que empresas e instituições brasileiras desenvolvam a cadeia produtiva local sob forte controle estatal. “Abrimos caminho para que a ciência e o setor produtivo desenvolvam soluções de qualidade”, afirmou o presidente da Anvisa, Leandro Safatle.

O que muda com as novas regras?

Produção industrial e controle rigoroso

A autorização para o plantio será restrita a pessoas jurídicas (empresas) que demonstrarem capacidade técnica e segurança. O modelo adotado segue a “lógica de compatibilidade”, onde o volume plantado deve ser estritamente necessário para atender à demanda dos medicamentos autorizados.

  • Segurança: Exigência de monitoramento por câmeras 24h e georreferenciamento das plantações.

  • Teor de THC: O cultivo de cânhamo industrial e plantas para fins medicinais deve respeitar o limite de 0,3% de THC. Lotes que excederem esse teto deverão ser destruídos em até 48h.

  • Prazos: Empresas que já cultivam via decisão judicial terão 12 meses para se adequar às novas normas.

[Image showing a high-tech greenhouse with medicinal cannabis plants being monitored by security cameras and researchers in white lab coats]

Ampliação do acesso ao paciente

A nova regulamentação também trouxe avanços significativos para quem utiliza o tratamento:

  • Novas Vias de Administração: Além das formas oral e inalatória, agora são permitidas as vias bucal, sublingual e dermatológica.

  • Farmácias de Manipulação: A Anvisa autorizou a manipulação de produtos à base de canabidiol (CBD) em farmácias magistrais, o que deve reduzir custos e aumentar a disponibilidade.

  • Associações de Pacientes: O trabalho das associações foi reconhecido, permitindo a produção em modelos não industriais sob critérios específicos de qualidade.

Pesquisa e Ciência Brasileira

Instituições de ensino reconhecidas pelo MEC, indústrias farmacêuticas e órgãos de defesa do Estado agora possuem uma resolução específica para solicitar a Autorização Especial (AE) para plantio voltado à pesquisa. O objetivo é fomentar o desenvolvimento de fitofármacos nacionais e reduzir a insegurança jurídica que travava estudos científicos no país.

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Próximos Passos

As resoluções entram em vigor na data de sua publicação oficial. A Anvisa prevê a criação de um comitê interministerial (Saúde, Justiça e Agricultura) para monitorar a implementação e garantir que não haja desvio de finalidade para uso recreativo, que permanece estritamente proibido.


Com informações: Anvisa, Brasil de Fato, STJ

 

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