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Natureza

O poder cor de rosa dos bancos de rodolitos – patrimônio que precisa ser conhecido e conservado

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Pesquisa aponta os bancos de rodolitos como hotspot da biodiversidade, no entanto, apenas 15,7% das áreas conhecidas estão dentro de Unidades de Conservação na costa brasileira

A biodiversidade marinha presente na costa brasileira é de tirar o fôlego, soma-se mais de 5 mil espécies da fauna e 2.360 da flora marinha – das quais 2.300 são espécies de algas, segundo dados compilados pelo 1º Diagnóstico Marinho-Costeiro. Apesar da grande diversidade, elas são pouco conhecidas pela população. Exemplo desse desconhecimento são os rodolitos, algas altamente especializadas em capturar carbono e formar megahabitats, que são verdadeiros oásis no fundo marinho. Costumam apresentar coloração que varia entre rosa, vermelho e roxo e são comumente encontradas aglomeradas formando grandes extensões tridimensionais no leito do mar.

No Brasil, os bancos de rodolitos se distribuem amplamente por toda a costa, mas são mais abundantes e conhecidos na região do litoral amazônico, Nordeste e Leste (Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia). Esses ambientes marinhos desempenham uma série de funções ecológicas, principalmente conectando diferentes ambientes recifais, o que os torna um importante hotpost de biodiversidade (ambientes que concentram uma grande quantidade de espécies associadas), segundo estudo de revisão liderado por pesquisadores brasileiros que avaliou o estado de conservação e a importância dos bancos de rodolitos em nosso litoral.

Apesar da alta contribuição dos bancos de rodolitos para a biodiversidade e para a humanidade, atualmente, menos de 5% da área oceânica está protegida, ainda que o Brasil tenha avançado na conservação, com a criação de áreas marinhas protegidas para recifes de corais, manguezais e ilhas oceânicas. De acordo com a pesquisa, publicada na revista Diversity and Distributions em janeiro deste ano, é urgente a implementação de áreas marinhas protegidas para os bancos de rodolitos, ecossistema que ao lado dos recifes mesofóticos encontrados na foz do rio Amazonas segue invisibilizado, apesar de prestarem grandes contribuições à humanidade.

Função ecológica e econômica

No Brasil, os bancos de rodolitos se distribuem ao longo de toda costa, da foz do rio Amazonas, ao seu limite sul, no litoral Catarinense, com formações na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (SC) e na Ilha do Campeche. No entanto, a região Norte e Nordeste correspondem às localidades de maior abundância desses ecossistemas. Áreas mais profundas no Litoral sul do Brasil foram identificadas com elevada probabilidade de ocorrência, mas a presença destas formações ainda carece de confirmação. Em relação à riqueza total de espécies, a região da foz do rio Amazonas apresenta o terceiro maior número de espécies ameaçadas, endêmicas, e de interesse comercial, em relação a outras áreas da costa brasileira.

De acordo com o estudo, apenas 22 das 307 Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) contêm bancos de rodolitos, isso representa cerca de 15,7% de cobertura para esses ecossistemas. Dentre as Unidades de Conservação (UC), a Costa das Algas, na costa do Espírito Santo, e a Reserva Biológica (Rebio) do Arvoredo, em Santa Catarina, incorporaram intencionalmente os bancos de rodolitos dentro dos limites da UC para sua preservação. Enquanto que para as demais áreas, a presença desses ecossistemas é meramente ocasional, pois elas estão focadas na proteção de outros ambientes, como recifes rochosos e corais.

Os bancos de rodolitos oferecem importante suporte para a biodiversidade. Eles funcionam como berçário ou “banco de sementes”, sendo, portanto, fundamentais para o ciclo de vida de inúmeras espécies que vivem nesses territórios ou em ecossistemas adjacentes. Com base nas análises dos dados compilados, o estudo aponta que esses ambientes podem abrigar 1.053 espécies. Dentre elas, as macroalgas são o grupo mais representativo, com 308 espécies. Em seguida, os invertebrados correspondem a 469 espécies e os peixes com 252 espécies, representam o terceiro grupo mais diverso, sendo 15% dessas espécies de interesse comercial. A alta riqueza de peixes, como também de invertebrados, pode ser explicada pela conectividade que os bancos de rodolitos mantêm com outros ecossistemas, especialmente, os recifes de corais rasos e profundos. Essa conexão íntima funciona como um mosaico de paisagens marinhas que pode salvaguardar a riqueza de espécies.

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Avaliações recentes realizadas em profundidades de 2 a 51 metros, em áreas e ilhas costeiras e formações oceânicas em regiões tropicais e temperadas – de latitude  53°N–27°S –  revelam o poder cor de rosa dos bancos de rodolitos. Estes são habitats altamente produtivos, que podem absorver até 1347 gramas de carbono por metro quadrado (gC/m²), valores que excedem as estimativas relatadas para outras florestas de macroalgas. Para se ter ideia, esse valor é quase 3 vezes maior do que os incêndios da Amazônia emitiram por metro quadrado em 2024 — de acordo com estimativas do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) divulgadas pelo Observatório do Clima. De maneira geral, a capacidade de absorver carbono é maior em menores latitudes e nas áreas mais rasas, pois esse processo é determinado pela disponibilidade de luz e pela composição de espécies. Essa alta produtividade, juntamente com depósitos substanciais de carbonato (0,4–38 mil toneladas), torna os bancos de rodolitos contribuintes altamente relevantes para o ciclo oceânico atual e futuro do carbono e, consequentemente, para o controle climático do planeta.

Ameaças reais e potenciais

Além dos bancos de rodolitos e o Grande Sistema de Recifes do Amazonas serem ecossistemas desconhecidos pela sociedade e por tomadores de decisão, não estão protegidos por nenhuma área de proteção na região da Foz do Amazonas. Esta situação se torna ainda mais crítica com o eventual avanço dos blocos de exploração de óleo e gás sobre tal ecossistema, que já se encontram sujeitos a outros impactos decorrentes da pesca, mudanças climáticas e poluição.

Ainda segundo o estudo, as atividades de exploração de óleo e gás, bem como a  mineração, podem causar a liberação de poluentes e alterações no fundo marinho que, por sua vez, levam ao soterramento e morte dos rodolitos.

Além disso, o derramamento acidental de óleo poderia causar perdas ainda não compreendidas para os rodolitos. Por isso, a criação de áreas marinhas protegidas nessa região é fundamental para manter a biodiversidade, aumentar a resiliência, e os serviços ecossistêmicos fornecidos pelos bancos de rodolitos e os demais ecossistemas na região.

Políticas públicas nessa direção devem ser acompanhadas por litigância ambiental e climática, ao mesmo tempo que orientam a construção de detalhado plano de contingenciamento em caso de vazamento, considerando especialmente o monitoramento, mitigação e remediação de impactos em ambientes biogênicos complexos como bancos de rodolitos.
Se comparado a outros ecossistemas costeiros chave, numa perspectiva global que reflete a escala regional, a área de bancos de rodolitos em quilômetros quadrados (km²) é maior que a área estimada de recifes de corais, florestas de kelps e gramas marinhas. Mas quando olhamos o número de espécies estudadas e o valor investido em pesquisa nestes diferentes ambientes naturais, a barra dos valores dos bancos de rodolitos nem chega a aparecer no gráfico. O Brasil detém a maior extensão de banco de rodolitos do mundo, na Plataforma de Abrolhos, na costa sul da Bahia, e uma área estimada para ocorrência de 167 a 230 mil km2, ao longo de toda plataforma continental. Com isso, a conectividade de paisagens marinhas deve ser ainda mais proeminente na costa brasileira. Mas, as áreas marinhas protegidas que incluem os bancos de rodolitos é desproporcional nas regiões e ainda muito pequena quando comparada a outros ecossistemas.

Caminhos para a conservação

Tendo em vista a crescente pressão da pesca e da indústria de petróleo e gás para explorar a plataforma amazônica (vide os 19 blocos arrematados em 17 de junho em leilão da ANP), ações para identificar e proteger áreas prioritárias para a conservação da natureza são urgentemente necessárias para salvaguardar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos fornecidos pelos bancos de rodolitos e outros ambientes, como o sistema de recifes amazônicos.

Sendo imperativo que as ações do Planejamento Espacial Marinho (PEM) considerem os bancos de rodolitos, sua biodiversidade associada, suas vulnerabilidades e as interações entre os diversos estressores que atuam sobre estes ambientes. O estudo também fornece insights sobre como identificar áreas prioritárias para conservação de bancos de rodolitos através de levantamentos de biodiversidade. Tal abordagem de planejamento de conservação deve ser baseada nos princípios de complementaridade e conectividade genética com outros habitats costeiros (por exemplo, manguezais) e do fundo marinho (por exemplo, recifes de corais e rochosos e gramas marinhas), pois esses megahabitats funcionam como um mosaico funcional e interconectado de paisagens marinhas para várias espécies.

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O Programa Florestas Marinhas para Sempre 

O contexto atual no qual nos encontramos próximos a receber a COP 30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – Conferência das Partes), em Belém (PA), se apresenta como grande oportunidade para sacudir as discussões ambientais e fazer pressão nos tomadores de decisão para protegerem os ambientes marinhos e costeiros.

Exemplo de mobilização ambiental de sucesso foi a criação do programa internacional Tropical Forests Forever (TFF), que atingiu os mais altos níveis políticos para conservar florestas tropicais como a Amazônia. Esse programa, estruturado em ações de restauração e soluções baseadas na natureza para enfrentar as mudanças climáticas, inspirou a criação do Programa Floresta Marinha para Sempre – Marine Forest Forever Program – MFFP.

As florestas marinhas são formadas por manguezais, marismas, algas que incluem os bancos de rodolitos, gramas marinhas, corais e esponjas. Em relação às florestas terrestres, elas recebem menos atenção apesar de serem indispensáveis para manutenção da biodiversidade, serviços ecossistêmicos e equilíbrio climático do planeta, como o sequestro de carbono atmosférico. Nesse sentido, a proposta de criação de um programa global para florestas marinhas, visa fortalecer a arrecadação de fundos para financiar ações coordenadas em todos os estados-membros das Nações Unidas.

Até o momento, 6,4% do oceano global está incluído em Áreas Marinhas Protegidas, com efetividade de conservação limitada contra pressões pesqueiras e poluição. O programa Floresta Marinha para Sempre, nesse sentido, representa uma estratégia importante para atingir metas ambientais globais, como a Meta 30×30, que pretende converter 30% do planeta em áreas protegidas até 2030 e atingir a proposta de renda básica incondicional para promover a justiça socioeconômica e ambiental transgeracional prevista nas discussões do Green New Deal. Isso pode gerar um importante catalisador para a promoção da justiça socioambiental por meio de pagamento por serviços ambientais. Além de poder ser incluído no cálculo das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e na elaboração de Estratégias e Planos de Ação Nacionais para a Biodiversidade (NBSAP), conforme chamado pela declaração ministerial do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente e Sustentabilidade Climática (ECSWG) do G20. Integrada a um sistema de comunicação e educação, a proposta pode ser rapidamente disseminada entre continentes, fortalecendo e emancipando especialmente as frações mais vulneráveis ​​de nossas sociedades.

Se o Brasil conseguir criar e expandir as Áreas Marinhas Protegidas; fortalecer a criação do Programa Florestas Marinhas para Sempre; incluir a proteção efetiva dos bancos de rodolitos e outras florestas marinhas pelo Planejamento Espacial Marinho, ele não apenas contribuirá para atingir a meta de proteger 30% do planeta até 2030, mas também assumirá a liderança na conservação da maior extensão conhecida de bancos de rodolitos no mundo.

Leia o estudo de revisão: doi.org/10.1111/ddi.13960

Leia a proposta de criação do “Programa Floresta Marinha para Sempre”: doi.org/10.1002/aqc.70037

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Para saber mais

Nadine Schubert e colaboradores. “Pink power”—the importance of coralline algal beds in the oceanic carbon cycle. Nature Communications, 2024. doi.org/10.1038/s41467-024-52697-5

Fernando Tuya e colaboradores. Levelling-up rhodolith-bed science to address global-scale conservation challenges. Science of the Total Environment, 2023. doi.org/10.1016/j.scitotenv.2023.164818

Rodrigo Leão de Moura e colaboradores. Tropical rhodolith beds are a major and belittled reef fish habitat. Scientific Reports, 2021. doi.org/10.1038/s41598-020-80574-w

Cristiana Seixas, Alexander Turra e Beatrice Padovani (Eds.) (2024). 1º Diagnóstico Brasileiro Marinho-Costeiro sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano. bpbes.net.br/produto/diagnostico-brasileiro-marinho-costeiro

As opiniões e informações publicadas nas seções de colunas e análises são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião do site Fatonovo.net. Buscamos nestes espaços garantir um debate diverso e frutífero sobre conservação ambiental.


Fonte: ECO

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1 comentário

1 comentário

  1. u1vox

    06/07/2025 em 21:45

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Natureza

Natureza em festa: Araras-canindé voltam a voar no Rio após 200 anos de extinção local

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Araras-canindé

Reintrodução no Parque Nacional da Tijuca marca o retorno da espécie, cujo último registro no estado era de 1818; projeto do Refauna prevê a soltura de 50 aves nos próximos cinco anos

O céu do Rio de Janeiro ganhou um colorido que não era visto há mais de dois séculos. No início de janeiro de 2026, três fêmeas de arara-canindé (Ara ararauna) foram soltas no Parque Nacional da Tijuca, marcando o retorno oficial da espécie ao estado fluminense. O último registro histórico dessas aves em solo carioca datava de 1818, período em que foram extintas localmente devido à caça e à destruição da Mata Atlântica.

A iniciativa é liderada pelo projeto Refauna, com apoio do ICMBio, e representa um marco para a biodiversidade da região. As aves — batizadas de Fernanda, Fátima e Sueli — passaram por um rigoroso processo de aclimatação desde junho de 2025, onde recuperaram musculatura de voo e aprenderam a identificar alimentos naturais da floresta.

O caminho para o repovoamento

O projeto é ambicioso e focado na sustentabilidade da população a longo prazo. Além das três fêmeas já soltas, um macho chamado Selton permanece no recinto de aclimatação aguardando novos companheiros. A meta dos pesquisadores é reintroduzir até 50 indivíduos ao longo de cinco anos.

Para garantir que as araras fiquem seguras, a equipe do Refauna utiliza tecnologia de ponta:

  • Identificação: As aves possuem anilhas, microchips e colares coloridos.

  • Monitoramento Participativo: A sociedade é incentivada a relatar avistamentos pelo WhatsApp do projeto (21 96974-4752) ou pelo aplicativo SISS-Geo, da Fiocruz.

Um desafio sanitário e ecológico

A bióloga Lara Renzeti, coordenadora do projeto, explica que o planejamento começou ainda em 2018. Um dos maiores desafios foi a questão sanitária, garantindo que as aves (vindas de São Paulo) não trouxessem doenças para a fauna local e estivessem saudáveis para enfrentar a vida livre.

O retorno das araras não é apenas estético; elas cumprem um papel fundamental como dispersoras de sementes, ajudando na regeneração natural da floresta. “Desejamos que os moradores e visitantes tenham a oportunidade de avistar essas aves colorindo o céu, mas isso precisa da colaboração de todos, cuidando e valorizando os animais livres”, afirma Lara.

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Como ajudar?

Se você visitar o Rio de Janeiro ou morar próximo ao Parque da Tijuca, fique atento às copas das árvores. Caso aviste uma das araras:

  1. Não alimente: Elas precisam manter o hábito de buscar comida na natureza.

  2. Não tente capturar: Elas são monitoradas e protegidas por lei.

  3. Fotografe e informe: Envie a localização e fotos para o Instagram do @refauna.


Com informações: ECO, Refauna, ICMBio.

 

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Brasil

Extrema se torna referência nacional ao transformar lixo em renda e impacto social

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Cidade no sul de Minas Gerais alcança excelência na gestão de resíduos sólidos com coleta seletiva porta a porta e fortalecimento de cooperativas.


A pequena cidade de Extrema, localizada no sul de Minas Gerais, consolidou-se em 2026 como um dos principais modelos de sucesso na aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil. Enquanto grandes metrópoles ainda enfrentam dificuldades para implementar sistemas eficientes de descarte, Extrema demonstra que a integração entre gestão pública, parcerias com cooperativas e engajamento da população é a chave para transformar o que seria lixo em ativos econômicos e bem-estar social.

De acordo com dados da Prefeitura de Extrema, o município opera um sistema de coleta seletiva porta a porta que cobre virtualmente 100% da área urbana. Esse modelo garante que o material reciclável chegue às centrais de triagem com alto índice de pureza, facilitando o trabalho das cooperativas de catadores e aumentando o valor de mercado dos resíduos. O Ministério do Meio Ambiente cita a cidade como um exemplo de “Gestão Integrada”, onde a sustentabilidade ambiental caminha lado a lado com a geração de renda local.

O impacto positivo dessa estrutura reflete diretamente na saúde pública e na qualidade de vida dos moradores. Ao reduzir o volume de resíduos destinados a aterros sanitários, a cidade diminui a proliferação de vetores de doenças e a contaminação de lençóis freáticos. Além disso, a organização urbana resultante de ruas mais limpas e um sistema de coleta previsível eleva o índice de satisfação da comunidade e fortalece a economia circular na região.

Para que um modelo como o de Extrema funcione, quatro pilares estratégicos são fundamentais:

  1. Logística Organizada: Coleta seletiva com horários e rotas rigorosamente cumpridos.

  2. Valorização Humana: Parcerias sólidas que garantem dignidade e renda para os catadores.

  3. Educação Ambiental: Programas contínuos nas escolas que transformam os alunos em multiplicadores do hábito de separar o lixo.

  4. Transparência de Dados: Uso de indicadores para monitorar o volume reciclado e o impacto econômico gerado.

A isonomia no atendimento garante que todos os bairros, do centro às periferias, tenham acesso ao mesmo padrão de serviço. Essa universalização do acesso à reciclagem é o que permitiu a Extrema atingir patamares de reaproveitamento muito superiores à média nacional. A longo prazo, esse modelo reduz drasticamente os custos públicos com a gestão de aterros, que possuem sua vida útil prolongada, permitindo que os recursos economizados sejam reinvestidos em outras áreas, como saúde e educação.

O sucesso de Extrema serve como um guia prático para outras cidades brasileiras que buscam o selo de “Cidade Consciente”. O exemplo mineiro prova que a reciclagem deixa de ser uma obrigação burocrática para se tornar parte da cultura local quando o cidadão percebe que o seu esforço individual em separar uma embalagem se traduz em uma cidade mais rica e saudável.

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Em um cenário global onde a crise climática e o esgotamento de recursos naturais exigem ações imediatas, Extrema mostra que a solução muitas vezes começa com atitudes simples dentro de casa. Quando a ciência da gestão pública encontra o engajamento social, o “lixo” deixa de ser um problema para se tornar uma oportunidade de futuro.


*Com informações: Olhar Digital.

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Brasil

Abrolhos: os desafios e as recompensas do primeiro parque marinho do Brasil

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Logística complexa e navegação de longo curso marcam a jornada para conhecer o santuário de biodiversidade no litoral sul da Bahia.


Visitar o Parque Nacional Marinho de Abrolhos (PNMA) é uma experiência de imersão que começa muito antes do primeiro mergulho. Considerado o berço das baleias-jubarte e detentor da maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul, o arquipélago exige do viajante resiliência e planejamento estratégico. Localizado a cerca de 70 quilômetros da costa de Caravelas, no sul da Bahia, o acesso ao parque ainda é um dos maiores gargalos para o turismo ecológico no país, envolvendo deslocamentos terrestres exaustivos e janelas meteorológicas estreitas.

Atualmente, as embarcações autorizadas pelo ICMBio partem exclusivamente do cais de Caravelas. Para quem chega de outros estados, o desafio logístico é nítido: os aeroportos de Porto Seguro (BA) e Vitória (ES) ficam a centenas de quilômetros de distância, exigindo horas de estrada antes mesmo de enfrentar as quatro horas de navegação em mar aberto. Contudo, para aqueles que persistem, a recompensa surge na forma de águas cristalinas, recifes de corais exclusivos e uma fauna que parece ignorar a presença humana, tamanha a preservação do local.

Fundado em 1983, o PNMA foi pioneiro no Brasil ao estabelecer uma unidade de conservação estritamente marinha. Com mais de 91 mil hectares, o parque protege ecossistemas únicos, como os “chapeirões” — formações coralíneas em formato de cogumelo que podem atingir até 20 metros de altura e que não existem em nenhum outro lugar do planeta. A área sob proteção abrange desde o Recife de Timbebas até o Parcel dos Abrolhos e as ilhas que compõem o arquipélago, sendo um refúgio vital para mais de 1.300 espécies registradas.

A preservação de Abrolhos é garantida por um mosaico de Unidades de Conservação (UCs) que cercam a região, incluindo as Reservas Extrativistas de Cassurubá e Corumbau, e parques nacionais terrestres como o do Descobrimento e o do Monte Pascoal. Esse conjunto de áreas protegidas é essencial para a manutenção da isonomia ambiental, garantindo que a vida marinha tenha corredores seguros para reprodução e alimentação, protegidos da pesca predatória e do tráfego marítimo desordenado.

Além da biodiversidade, o arquipélago carrega uma importância geopolítica e científica estratégica. A Ilha de Santa Bárbara, embora sob jurisdição da Marinha do Brasil, abriga o farol que orienta a navegação na costa baiana e serve como base para pesquisas meteorológicas e monitoramento ambiental. O contato humanizado com a natureza em Abrolhos, através do mergulho autônomo e da observação de aves como atobás e fragatas, reforça a urgência de políticas públicas que facilitem o acesso consciente a este patrimônio nacional.

Apesar das “desventuras” logísticas relatadas por visitantes — que incluem desde cancelamentos de voos até condições adversas de vento —, o consenso entre mergulhadores e biólogos é o mesmo: vale a pena. O pôr do sol sobre as formações rochosas e a visão das baleias-jubarte (que visitam a região entre julho e novembro) são cenas que definem a relevância social e ambiental do parque. Abrolhos não é apenas um destino de lazer, mas um laboratório vivo da resiliência do ecossistema marinho brasileiro.

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O futuro do parque depende do equilíbrio entre a exploração turística sustentável e o rigor na fiscalização. Como primeiro parque marinho do país, Abrolhos ainda é desconhecido por grande parte da população brasileira, o que ressalta a importância de iniciativas de divulgação científica e educação ambiental. Conhecer este santuário é entender a complexidade da vida oceânica e a necessidade de proteger as riquezas que o Brasil guarda abaixo da linha do horizonte.


*Com informações: ECO.

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