Estudo do IPEDF mostra que 35% dos moradores do Distrito Federal apostaram no último ano; loteria lidera em popularidade, mas cassinos digitais (Tigrinho) apresentam maior frequência e vício.
O Distrito Federal apresenta um índice de apostadores muito superior à média nacional. Segundo a pesquisa “Apostadores no Distrito Federal: Diagnóstico comportamental e sociodemográfico”, divulgada nesta quinta-feira (29 de janeiro de 2026), mais de um terço da população local (35%) realizou algum jogo de azar nos últimos 12 meses. Para efeito de comparação, o índice no Centro-Oeste era de 18,7% em 2024.
O dado mais alarmante do estudo é a concentração social do hábito: as camadas de menor renda são as que mais apostam e, proporcionalmente, as que mais comprometem o orçamento familiar com jogos.
Perfil Financeiro: Aposta pesa no bolso de quem ganha menos
A pesquisa revela que a participação em apostas diminui conforme a renda aumenta. A maior concentração de apostadores está na faixa que ganha entre R$ 1.518 e R$ 3.000 (37,5%).
| Faixa de Renda Mensal |
% de Apostadores no DF |
| Até R$ 3.000 (Baixa/Média-Baixa) |
52,9% |
| R$ 3.001 a R$ 5.000 |
20,7% |
| Acima de R$ 15.001 (Alta) |
4,6% |
Modalidades: Do “Fézinha” ao Vício Digital
Embora a Loteria continue sendo a modalidade mais comum, os jogos digitais como as Bets (apostas esportivas) e o Jogo do Tigrinho (cassinos online) preocupam pela frequência de uso e pelos valores gastos.
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Loterias (26,6%): Uso majoritariamente esporádico e valores baixos (até R$ 60).
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Bets (8,4%): Uso semanal mais intenso; 31,8% dos apostadores gastam mais de R$ 100 por mês.
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Cassinos Online/Tigrinho (6,5%): É a modalidade mais viciante. 15,7% jogam diariamente e 11,1% gastam mais de R$ 500 mensais.
Idade: Surpresa entre os mais velhos
Diferente do senso comum de que as apostas são “coisa de jovem”, no Distrito Federal o grupo com maior proporção de apostadores é o de 50 a 59 anos (39,7%), seguido pelos idosos com mais de 60 anos (36,9%). Entretanto, a participação de jovens (18 a 29 anos) no DF é quase o dobro da média nacional para essa faixa etária.
O Perigo do “Clique”
O estudo do IPEDF ressalta que a disponibilidade digital é o principal motor do aumento das apostas. A facilidade de acessar cassinos e bets pelo celular a qualquer hora do dia transformou o que era uma diversão ocasional (como a loteria) em um comportamento de alta recorrência e risco financeiro.
Com informações: Metrópoles