Conecte-se conosco

Congresso Nacional

Henrique Vieira cria Frente Parlamentar pelo Estado Laico: “Pluralidade religiosa é essencial”

Publicado

em

Deputado Henrique Vieira (PSOL-RJ) oficializa Frente Parlamentar em Defesa do Estado Laico e da Liberdade Religiosa. Iniciativa visa proteger a separação entre Estado e religião, combater retrocessos e promover o respeito à diversidade e à não crença

A Câmara dos Deputados oficializou a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Estado Laico e da Liberdade Religiosa, iniciativa liderada pelo deputado federal Henrique Vieira (PSOL-RJ), pastor e defensor da laicidade institucional. A frente tem como objetivo fortalecer a separação entre Estado e religião em um contexto de crescente influência do fundamentalismo religioso na política nacional.

A criação da frente foi possível após a coleta de mais de 198 assinaturas — um terço dos parlamentares do Congresso — e a formalização do requerimento junto à Mesa Diretora da Câmara.

Defesa da democracia e da liberdade de crença

Em entrevista ao ICL Notícias, Henrique Vieira afirmou que a luta pelo Estado laico é, na essência, uma defesa da democracia, dos direitos humanos e da pluralidade religiosa.

“Defender o Estado laico é defender a democracia, a liberdade religiosa e também o direito à não crença”, afirmou.

Para o parlamentar, o problema não reside na fé, mas na instrumentalização da religião como projeto de poder. “O risco é quando a religião se apropria do Estado para impor à sociedade uma visão única de mundo. Isso é autoritário e viola liberdades individuais e coletivas”, alertou.

Ações previstas pela frente

Anúncio

A Frente Parlamentar atuará por meio de:

  • Audiências públicas e seminários sobre laicidade e liberdade religiosa;
  • Elaboração de projetos de lei para proteger a separação entre Estado e religião;
  • Monitoramento de proposições consideradas anti-laicas em trâmite no Congresso, assembleias estaduais e câmaras municipais;
  • Criação de cartilhas e materiais informativos;
  • Atuação como canal de denúncia de intolerância religiosa, racismo religioso e violações de direitos.

“Queremos ser um canal de pressão e visibilidade para que essas violências não sejam silenciadas”, disse Vieira.

Articulação política e resistência esperada

O deputado destacou que a formação da frente foi possível graças a um trabalho de articulação “de formiguinha”, sem resistência formal até o momento. No entanto, prevê que setores conservadores possam reagir à medida conforme as ações ganharem força.

Apesar de ser pastor, Vieira ressalta que não utiliza sua posição religiosa para interferir no campo político. “Não quero que o parlamento seja extensão do púlpito da minha igreja. A minha fé é mediada pelo amor ao próximo — e o amor não impõe, não oprime, não domina. O amor zela pela dignidade e liberdade do outro”, afirmou.

Sua atuação parlamentar é pautada por valores como justiça social, respeito à diversidade, direitos humanos e defesa do meio ambiente.

Futuro da frente: formação e vigilância

Além de reagir a retrocessos, a frente pretende formar opinião pública sobre o papel do Estado laico.

Anúncio

“Queremos mostrar que o Estado laico não é contra as religiões, mas é uma condição essencial para a convivência democrática, a liberdade de culto e o respeito à não crença”, concluiu Vieira.

O que é uma Frente Parlamentar?

Frentes parlamentares são grupos formados por deputados e senadores de diferentes partidos, com o objetivo de debater e articular políticas públicas sobre temas específicos. O registro tem validade apenas durante a legislatura vigente e exige estatuto, ata de fundação, nome oficial e indicação de um parlamentar-relator.


Com informações:  ICL Notícias

Continue lendo
Anúncio

Clique para comentar

Deixa uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Congresso Nacional

Emendas parlamentares consomem quase 80% da verba livre de ministérios em 2025

Publicado

em

Por

Fatia do Orçamento controlada por deputados e senadores atingiu nível recorde, drenando recursos que seriam destinados a investimentos diretos do Governo Federal

Em 2025, o avanço do Congresso Nacional sobre o Orçamento da União atingiu um patamar histórico, comprometendo a capacidade de planejamento do Poder Executivo. Dados oficiais revelam que as emendas parlamentares chegaram a consumir até 78,9% da verba discricionária (recursos destinados a investimentos e custeio, que não incluem salários e gastos obrigatórios) de pastas estratégicas. O Ministério do Turismo e o Ministério do Esporte lideram o ranking de dependência, com a maior parte de seus orçamentos livres sendo direcionada por indicações de deputados e senadores.

O fenômeno reflete uma mudança estrutural na política brasileira, onde o Legislativo passou a deter o controle de fatias cada vez maiores do tesouro nacional. Se em 2015 as emendas representavam apenas 2,5% do orçamento discricionário total do Executivo, em 2025 esse percentual saltou para 21,9%. Esse cenário gera um debate intenso sobre a separação de Poderes e a transparência no uso desses recursos, especialmente após operações da Polícia Federal investigarem desvios em projetos financiados por essas verbas.

Ministérios sob maior domínio do Congresso

A tabela abaixo detalha as pastas onde os parlamentares detêm o maior controle sobre os recursos de investimento:

Ministério % da Verba Discricionária por Emendas Principais Destinos
Turismo 78,9% Apoio a eventos (como o Carnaval), obras e pontos turísticos.
Esporte 65,2% Projetos sociais de futebol, construção de ginásios e e-sports.
Saúde ~40% Custeio de hospitais, ambulatórios e secretarias locais.

Impacto na Saúde e no Planejamento Federal

Embora Turismo e Esporte tenham os maiores percentuais relativos, o Ministério da Saúde é o que executa o maior volume financeiro absoluto. Em 2025, dos R$ 47,3 bilhões empenhados pela pasta, mais de R$ 25,7 bilhões foram definidos pelo Congresso. Especialistas alertam que essa descentralização excessiva dificulta a criação de políticas nacionais unificadas, uma vez que o recurso acaba fragmentado em milhares de pequenas obras e convênios locais que nem sempre priorizam as necessidades técnicas mais urgentes do SUS.

O debate no STF e o Orçamento 2026

O futuro dessa dinâmica está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino é o relator de uma ação que questiona a impositividade das emendas e exige regras mais rígidas de transparência. Enquanto isso, para o ano de 2026, o Congresso já aprovou um montante superior a R$ 61 bilhões em emendas parlamentares. O governo Lula enfrenta o dilema de manter o apoio da base aliada do “Centrão”, que comanda essas pastas, ou tentar recuperar o controle do Orçamento para viabilizar as promessas de campanha e grandes obras de infraestrutura federal.


Com informações: Folhapress e ICL Notícias

Anúncio

 

Continue lendo

Brasil

Lula sanciona Orçamento de 2026 com 26 vetos e fixa salário mínimo em R$ 1.621

Publicado

em

Por

Texto aprovado pelo Congresso prevê gastos de R$ 6,5 trilhões e destina R$ 61 bilhões para emendas parlamentares

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Orçamentária para o ano de 2026 com 26 vetos em trechos considerados inviáveis pelo Executivo. O documento, publicado no Diário Oficial da União, estabelece um orçamento total de R$ 6,5 trilhões, sendo que uma parcela significativa de 28% será direcionada ao pagamento de juros da dívida pública. Entre as definições mais aguardadas, o novo valor do salário mínimo foi fixado em R$ 1.621, seguindo as regras de valorização e correção pela inflação.

No campo das metas fiscais, o governo trabalha com uma previsão de superávit primário de R$ 34,26 bilhões, embora o arcabouço fiscal permita um déficit de até R$ 6,75 bilhões sem que a meta seja considerada descumprida. Para garantir a execução de obras estruturantes, o governo poderá investir até R$ 5 bilhões no Novo PAC sem que esses valores sejam contabilizados no cálculo do déficit primário.

Distribuição de Recursos e Emendas

O orçamento de 2026 mantém um volume expressivo de recursos para o Legislativo, distribuídos da seguinte forma:

  • Emendas Parlamentares: O total chega a R$ 61 bilhões.

  • Emendas Impositivas: R$ 37,8 bilhões têm pagamento obrigatório.

  • Individuais e Bancada: R$ 26,6 bilhões para indicações de deputados e senadores, e R$ 11,2 bilhões para bancadas estaduais.

Principais Vetos Presidenciais

Lula barrou pontos que aumentariam a rigidez orçamentária ou facilitariam gastos sem planejamento técnico. Os destaques dos vetos incluem:

  1. Fundo Partidário: Foi vetado o aumento do valor destinado ao financiamento das legendas, sob a justificativa de preservação do orçamento da Justiça Eleitoral.

  2. Licenciamento Ambiental: O presidente vetou o pagamento de emendas para obras que não possuam licença ambiental prévia ou projetos de engenharia aprovados.

  3. Restos a Pagar: Foi barrada a tentativa de liberar verbas de emendas não pagas entre os anos de 2019 e 2023.

  4. Contingenciamento: Lula rejeitou a proibição de bloqueio de verbas para áreas como agências reguladoras e defesa agropecuária, visando manter a flexibilidade na gestão das contas públicas.

Resumo das Metas e Valores (2026)

Indicador Valor / Meta
Orçamento Total R$ 6,5 trilhões
Salário Mínimo R$ 1.621
Juros da Dívida R$ 1,82 trilhão
Meta de Superávit R$ 34,26 bilhões
Déficit Máximo Permitido R$ 6,75 bilhões

Com informações: Agência Brasil e ICL Notícias

 

Anúncio

Continue lendo

Congresso Nacional

Ministro Flávio Dino suspende tentativa do Congresso de ressuscitar orçamento secreto

Publicado

em

Por

Decisão liminar barra trecho de projeto de lei que liberava R$ 1,9 bilhão em emendas antigas, alegando inconstitucionalidade e falta de transparência

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu neste domingo (21) um dispositivo aprovado pelo Congresso Nacional que permitia o pagamento de emendas parlamentares de anos anteriores, incluindo o extinto “orçamento secreto”. A decisão atende a um pedido da Rede Sustentabilidade e de deputados do PSOL, que argumentaram que a medida tentava validar gastos julgados inconstitucionais pela Corte em 2022.

O trecho suspenso havia sido inserido “de carona” em um projeto de lei voltado ao aumento da arrecadação, que trata da tributação de casas de apostas (bets) e benefícios fiscais. Segundo Dino, a proposta buscava ressuscitar uma modalidade de emenda que fere o princípio da transparência e da responsabilidade fiscal, ao tentar reativar recursos que já haviam sido cancelados e estavam fora do ciclo orçamentário regular.

Impacto financeiro e político

A estimativa é que o dispositivo liberaria cerca de R$ 1,9 bilhão, sendo R$ 1 bilhão oriundo especificamente do antigo orçamento secreto (RP9). O ministro destacou que a revalidação desses valores equivale à criação de novos gastos sem o devido lastro na lei orçamentária vigente, o que comprometeria o equilíbrio das contas públicas previsto para 2026.

Próximos passos judiciais

Apesar da suspensão desse artigo específico, o restante do projeto de lei que aumenta impostos para equilibrar o orçamento continua válido e segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o dia 12 de janeiro.

  • Efeito Suspensivo: A decisão de Dino permanece em vigor mesmo se o presidente sancionar o texto.

  • Julgamento no Plenário: A liminar precisará ser referendada pelos demais ministros do STF após o fim do recesso judiciário, em fevereiro de 2026.

  • Plantão do STF: Durante o mês de janeiro, o controle das decisões urgentes ficará sob a responsabilidade dos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes.


Com informações: Brasil de Fato e ICL Notícias.

 

Anúncio

Continue lendo
Anúncio


Em alta

Verified by MonsterInsights