A vida de ambientalistas e defensores de direitos humanos no Brasil é marcada por constantes ameaças. A indigenista e ambientalista
Neidinha Suruí, por exemplo, que dedicou mais de 50 anos à proteção da floresta e dos povos indígenas, vive hoje em uma "prisão" em sua própria casa, cercada por muros, cercas elétricas e câmeras de segurança. Essa realidade é compartilhada por centenas de ativistas no país, que se tornam alvos de violência por seu trabalho de defesa de territórios e recursos naturais. Dados da ONG Global Witness de 2023 mostram que o Brasil é o segundo país mais perigoso do mundo para defensores ambientais, atrás apenas da Colômbia. A violência é concentrada na Amazônia, onde a atuação de grileiros, garimpeiros, madeireiros e outros grupos de exploração ilegal representa uma ameaça direta.
Violência e Desafios no Programa de Proteção
A luta pela defesa ambiental no Brasil já vitimou nomes como Chico Mendes, Dorothy Stang, Bruno Pereira e Dom Phillips. A lista é extensa e reflete um cenário de insegurança. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), 126 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo entre 2021 e 2024. O Pará é o estado com mais casos de violência registrados, enquanto a Bahia lidera o ranking em número de mortes, segundo o relatório "Na Linha de Frente" de 2024. O
Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), do Ministério dos Direitos Humanos, monitora 1.468 pessoas em situação de risco, sendo que 72,69% atuam em áreas rurais. No entanto, mesmo sob proteção, a violência persiste. Desde a criação do programa, 21 defensores monitorados foram assassinados. As medidas de proteção oferecidas pelo programa, como escoltas policiais, muitas vezes são insuficientes ou enfrentam problemas estruturais. A agricultora
Joana*, moradora do Pará, que está no programa desde 2017, relata que ainda viaja por horas sem acompanhamento e se sente desprotegida. A coordenação do PPDDH reconhece as dificuldades, como as limitações orçamentárias e a complexidade das relações locais, onde alguns agentes públicos podem ter vínculos com os agressores. A história de Chico Mendes, que foi assassinado mesmo com a presença de dois policiais em sua casa, serve como um lembrete das fragilidades do sistema. A
violência contra os defensores é atribuída tanto a agentes privados, como jagunços e pistoleiros, quanto a agentes públicos, como policiais. A disputa por terras e recursos está, frequentemente, ligada a grupos com alto poder aquisitivo.
Com informações: Brasil de Fato