O Projeto Prometeu DF, coordenado pelo professor Carlos Henke de Oliveira (UnB), está investigando a eficácia e o impacto ambiental dos retardantes químicos usados no combate a incêndios florestais. Inspirado no titã que roubou o fogo, o projeto integra ecologia, tecnologia de drones e a experiência de brigadistas para fornecer uma base científica robusta para a futura regulamentação nacional sobre o uso desses produtos.
O
Projeto Prometeu DF, iniciativa apoiada pela
FAPDF e liderada pela
Universidade de Brasília (UnB), busca responder a uma questão crítica para a conservação:
quando e como o uso de retardantes químicos é adequado no combate a incêndios florestais. O projeto rompe com visões extremas, analisando simultaneamente a
eficiência do combate e seus
impactos ambientais.
Ciência Integrada e Tecnologia de Ponta
Coordenado pelo biólogo e ecólogo
Carlos Henke de Oliveira, o projeto se destaca por uma abordagem interdisciplinar que une ecologia de paisagens, meteorologia, desenvolvimento tecnológico e operação em campo. O nome
Prometeu DF simboliza o conhecimento que nasce na academia e se transforma em ferramenta prática para bombeiros e brigadistas. Para isso, o projeto desenvolveu
sistemas embarcados — mini-laboratórios portáteis — que registram dados cruciais (temperatura, poluentes e imagens termais) a cada dois segundos. As principais tecnologias são:
- Prometeu: Dispositivos acoplados a drones que medem temperaturas da atmosfera e do solo.
- Saphira: Dispositivos para aeronaves ou uso em solo, coletando gases e parâmetros meteorológicos.
- Obá: Acoplada a bombas costais, mapeia o lançamento de água ou retardantes durante o combate.
Outra inovação é a
Mesa de Combustão Osíris, uma câmara de grandes dimensões que simula queimadas controladas para testar a eficácia de diferentes retardantes, economizando tempo e recursos em testes de campo.
Eficiência vs. Impacto Ambiental
O grande diferencial do Prometeu DF é a análise simultânea da eficiência e do impacto ambiental, evitando o "cabo de guerra" entre defensores e opositores dos retardantes. Henke ressalta que a decisão sobre o uso deve variar conforme o
bioma:
- Cerrado: Uso pode ser autorizado sob regras claras.
- Várzeas, Veredas e Pantanal: Uso deve ser proibido.
- Amazônia: Uso ainda exige estudos preliminares.
Segundo o professor, o incêndio não termina quando o fogo é extinto; ele pode se transformar em um
problema ecológico, social, político e econômico. Por isso, a pesquisa visa consolidar uma
base metodológica robusta que subsidie a futura
regulamentação nacional sobre o uso de retardantes. O projeto conta com uma ampla rede de parceiros, incluindo o
CBMDF,
Ibama/Prevfogo,
ICMBio,
UFPR e
UFMS, e tem o objetivo de divulgar abertamente seus achados e métodos, priorizando o conhecimento aplicado sobre a patente.