Conecte-se conosco

Economia

O que é chaebol? A origem, o poder e a crise dos megaconglomerados familiares sul-coreanos

Publicado

em

Os chaebols são megaconglomerados industriais sul-coreanos, controlados por um único grupo familiar, que foram o alicerce da rápida industrialização do país após 1961. Inspirados nos zaibatsu japoneses e impulsionados por crédito e incentivos estatais, eles se tornaram um modelo de capitalismo familiar altamente concentrado. Nomes como Samsung, Hyundai Motors, LG e SK Holdings formam o núcleo econômico do país, controlando, juntos, uma porção significativa do PIB da Coreia do Sul

Definição e Estrutura dos Chaebols

O termo chaebol (literalmente “clã da riqueza” ou “dinastia do dinheiro”) é usado para descrever os grandes conglomerados empresariais da Coreia do Sul. Eles são caracterizados por:

  • Controle Familiar: São megaconglomerados industriais administrados por um mesmo grupo familiar, geralmente os descendentes do fundador.

  • Controle Comum: Exercem influência direta sobre dezenas ou até centenas de empresas do grupo por meio de estruturas como propriedade cruzada e participações acionárias majoritárias, configurando um modelo de capitalismo familiar altamente concentrado.

  • Função Econômica: Foram decisivos para transformar a Coreia do Sul em uma das economias mais avançadas do mundo. Atualmente, os 100 maiores chaebols controlam cerca de 823 empresas no país.

Exemplos Notórios: Samsung, Hyundai Motors, LG e SK Holdings.

A Ascensão (1960-1990)

A origem do modelo remonta ao golpe militar de 1961, liderado pelo general Park Chung-hee. Inspirado nos zaibatsu japoneses, o novo governo lançou o plano quinquenal de 1962, com o objetivo de industrializar o país rapidamente, impulsionando os chaebols.

  1. Incentivo Estatal: O Estado sul-coreano concedeu crédito estatal e captou empréstimos internacionais para serem direcionados a esses grandes grupos empresariais.

  2. Estratégia: A ideia era construir uma indústria exportadora robusta com foco em escala, diversificação e capacidade de assumir riscos. Um único conglomerado podia atuar em diversos setores, como automóveis, siderurgia, construção naval e eletrônicos.

  3. Crescimento Acelerado: O modelo gerou um crescimento sem precedentes, transformando o país em referência global em tecnologia e produtos industriais, mas também gerou endividamento excessivo e dependência de poucos grupos oligopolistas.

A Crise de 1997 e as Reformas

A busca frenética por expansão levou a um desequilíbrio insustentável. Às vésperas da crise asiática de 1997, os maiores chaebols tinham um endividamento corporativo que ultrapassava 300% de seus orçamentos.

Quando a crise cambial se espalhou, a Coreia do Sul, com dívidas massivas em dólar e baixas reservas, precisou recorrer ao FMI, e os conglomerados mais frágeis entraram em colapso. O caso mais emblemático foi o da Daewoo, então o segundo maior chaebol, que faliu com uma dívida superior a US$ 80 bilhões.

A crise forçou o governo a impor reformas, exigindo:

Anúncio

  • Redução da alavancagem corporativa.

  • Maior transparência contábil.

  • Incentivo à governança corporativa moderna.

Paradoxalmente, os maiores grupos (como Samsung e Hyundai) saíram fortalecidos, comprando ativos de empresas falidas e consolidando ainda mais seu poder no país.

O Poder Atual

Hoje, os chaebols continuam sendo o motor da economia sul-coreana. Em 2023, apenas quatro famílias — Samsung, SK, Hyundai Motors e LG — controlavam 40,8% do PIB da Coreia do Sul, e o total dos chaebols é responsável por até dois terços da riqueza produzida no país. A lógica familiar e as disputas de sucessão permanecem centrais para a manutenção do controle.


Com informações: Revista Fórum

Continue lendo
Anúncio

Clique para comentar

Deixa uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Brasil

“Selic em 15% é insustentável”: Indústria e sindicatos criticam decisão do Banco Central

Publicado

em

Por

CNI, CBIC e centrais sindicais alertam para o risco de recessão e desemprego; entidades afirmam que Brasil mantém os maiores juros reais do mundo mesmo com inflação sob controle.


A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano gerou uma onda de críticas entre os principais setores produtivos do Brasil. Representantes da indústria, construção civil e sindicatos foram unânimes em classificar o patamar atual como um obstáculo ao crescimento econômico e uma punição ao consumo das famílias.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Banco Central ignora a realidade de uma inflação que fechou 2025 dentro da meta (4,26%) para manter juros reais — descontada a inflação — na casa dos 10,5% ao ano.

Reações dos Setores Produtivos

Entidade Principal Crítica
CNI (Indústria) Juros em nível insustentável que aprofundam a desaceleração do PIB.
CBIC (Construção) Restrição ao crédito imobiliário e dificuldade em viabilizar novos prédios.
CUT (Sindicatos) Encarecimento das dívidas das famílias e impacto negativo na criação de empregos.
Força Sindical Acusa o BC de favorecer o setor financeiro em vez do setor produtivo.

O Peso da Dívida Pública

As centrais sindicais trouxeram um dado alarmante para o debate: cada ponto percentual da Selic acrescenta aproximadamente R$ 50 bilhões aos gastos do Governo Federal com o pagamento de juros da dívida pública. Dinheiro que, segundo as entidades, deixa de ser investido em saúde, educação e infraestrutura.

Para Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, o Brasil segue no topo do ranking mundial de juros reais, o que drena a renda da população e desestimula as empresas a contratarem novos funcionários.

A Visão da Construção Civil

Renato Correia, presidente da CBIC, destacou que o setor da construção é um dos mais sensíveis aos juros. Com a Selic a 15%, o financiamento da casa própria torna-se proibitivo para grande parte dos brasileiros, o que trava toda uma cadeia produtiva que gera milhões de empregos diretos e indiretos.

“Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia. É indispensável iniciar a redução já na próxima reunião”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.

[Image showing a closed factory gate with a ‘closed’ sign, representing the risk of industrial slowdown due to high credit costs]

Anúncio

Incertezas no Horizonte

Apesar do tom duro dos críticos, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) ponderou que o Banco Central age com cautela devido às incertezas fiscais internas e à volatilidade do cenário externo. A expectativa geral agora se volta para março, data em que o Copom sinalizou que poderá, finalmente, iniciar o tão esperado ciclo de cortes.


Com informações: Agência Brasil

Continue lendo

Brasil

Selic Mantida em 15%: Copom sinaliza primeiros cortes para março após queda na inflação

Publicado

em

Por

Banco Central mantém juros no maior nível em quase 20 anos, mas comunicado unânime abre caminho para flexibilização monetária caso cenário econômico permaneça estável

Em sua primeira reunião de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a Taxa Selic em 15% ao ano. O resultado já era aguardado pelo mercado financeiro, consolidando a quinta manutenção consecutiva dos juros básicos no patamar mais elevado desde julho de 2006.

A grande novidade, no entanto, veio no comunicado oficial. O Banco Central confirmou a intenção de iniciar a redução dos juros na próxima reunião, em março, desde que a inflação continue sob controle e não surjam novos choques econômicos.

O Cenário da Inflação em 2026

A decisão de manter os juros altos ocorre em um momento de alívio nos preços. Em 2025, a inflação oficial (IPCA) fechou em 4,26%, o menor índice anual desde 2018, situando-se dentro do teto da meta estabelecida.

Indicador Situação Atual
Taxa Selic 15% ao ano
IPCA (Acumulado 2025) 4,26%
Meta de Inflação 3% (tolerância até 4,5%)
Projeção PIB 2026 1,6% a 1,8%

O Novo Sistema de Meta Contínua

Desde janeiro de 2026, o Brasil opera sob o sistema de meta contínua. Diferente do modelo anterior, onde a meta era verificada apenas no fechamento de dezembro, agora a apuração é feita mês a mês, considerando sempre os últimos 12 meses acumulados. Isso dá ao Banco Central mais flexibilidade para ajustar a política monetária sem a pressão do calendário civil.

Impacto no Bolso do Consumidor

A manutenção da Selic em 15% significa que o crédito continua caro para o cidadão comum e para o empresário. Juros altos servem para frear o consumo e segurar a inflação, mas também dificultam o financiamento de imóveis, veículos e investimentos produtivos.

“O Comitê antevê iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, destacou a nota do BC.

Desfalque na Diretoria

A reunião ocorreu com o colegiado incompleto, já que os mandatos de dois diretores expiraram no fim de 2025. As novas indicações do presidente Lula devem ser enviadas ao Senado em fevereiro, após o recesso parlamentar, o que pode influenciar o tom das discussões na reunião decisiva de março.

Anúncio


Com informações: Agência Brasil, Banco Central do Brasil

 

Continue lendo

Brasil

Inflação de janeiro: Conta de luz e passagens aéreas puxam IPCA-15 para baixo

Publicado

em

Por

Prévia da inflação oficial fecha em 0,20% no primeiro mês de 2026; acumulado de 12 meses atinge 4,5%, tocando o teto da meta estabelecida pelo governo

A inflação brasileira começou o ano de 2026 perdendo fôlego. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, fechou janeiro em 0,20%, uma queda em relação aos 0,25% registrados em dezembro. O alívio no bolso dos brasileiros veio, principalmente, de dois itens essenciais: a energia elétrica e o setor de transportes.

Com este resultado, o índice acumula 4,5% nos últimos 12 meses, exatamente o limite máximo da meta de inflação (que é de 3% com margem de 1,5 p.p.). Os dados foram divulgados nesta terça-feira (23 de janeiro de 2026) pelo IBGE.

O alívio: Energia e Passagens Aéreas

O grupo Habitação (-0,26%) foi o grande destaque positivo do mês. A queda foi impulsionada pela conta de luz, que recuou 2,91%. A explicação é técnica: a Aneel alterou a bandeira tarifária de amarela para verde, eliminando a taxa extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh que estava sendo cobrada no mês anterior.

No grupo Transportes (-0,13%), o destaque foi a queda de 8,92% nas passagens aéreas. Além disso, medidas locais, como a “tarifa zero” aos domingos e feriados em Belo Horizonte, ajudaram a reduzir o custo dos ônibus urbanos.

O alerta: Alimentos e Combustíveis

Se por um lado a luz baixou, por outro, comer em casa ficou mais caro. Após sete meses de queda, os alimentos voltaram a subir (0,21%), com altas expressivas no tomate (16,28%) e na batata-inglesa (12,74%).

Já os combustíveis subiram 1,25% no período da coleta, sendo a gasolina a vilã individual da inflação no mês. No entanto, o cenário deve melhorar em fevereiro, já que a Petrobras anunciou hoje um corte de 5,2% no preço da gasolina para as distribuidoras.

Anúncio

IPCA-15: Entenda os números de janeiro

Setor Variação (%)
Saúde e cuidados pessoais + 0,81%
Comunicação + 0,73%
Alimentação e bebidas + 0,31%
Educação + 0,05%
Transportes – 0,13%
Habitação – 0,26%

Diferença entre IPCA-15 e IPCA

A prévia (IPCA-15) utiliza a mesma metodologia do índice oficial, mas coleta os preços entre o meio do mês anterior e o meio do mês atual. Para moradores de Brasília e Goiânia, os dados são especialmente relevantes, pois as duas capitais fazem parte das 11 localidades onde a pesquisa é realizada.

O IPCA “cheio” (fechado) de janeiro, que abrange mais cidades e o mês completo, será divulgado no dia 10 de fevereiro.


Com informações: IBGE, Agência Brasil

 

Continue lendo
Anúncio


Em alta

Verified by MonsterInsights