Brasil faz história na premiação de 2026 com vitórias nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Ator em Filme de Drama
O cinema brasileiro viveu uma noite de glória em Los Angeles neste domingo (11) durante a cerimônia do Globo de Ouro. O longa-metragem “O Agente Secreto” conquistou o prêmio de Melhor Filme Internacional, marcando a segunda vez que o país leva este troféu — a primeira vitória foi com “Central do Brasil” em 1999. Além do reconhecimento para a obra, Wagner Moura foi premiado como Melhor Ator em Filme de Drama por sua atuação no suspense, superando nomes de peso como Dwayne Johnson e Michael B. Jordan. Em seu discurso, Moura dedicou a vitória aos que mantêm seus valores em tempos difíceis, definindo o filme como uma obra sobre memória e traumas geracionais.
O diretor Kleber Mendonça Filho também celebrou a vitória, destacando a importância da colaboração com Moura, a quem chamou de “grande amigo e ator explosivo”. O sucesso de “O Agente Secreto” ocorre apenas um ano após Fernanda Torres vencer o Globo de Ouro por “Ainda Estou Aqui” em 2025, consolidando uma fase excepcional para a cultura brasileira no exterior. A crítica especializada agora volta as atenções para o Oscar 2026, cujas indicações começam a ser definidas nesta semana, com grandes expectativas de que a produção pernambucana repita o feito na maior premiação do cinema mundial.
Destaques da premiação e caminho para o Oscar
A vitória brasileira no Globo de Ouro reforça o favoritismo para as próximas semanas:
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Wagner Moura Ator do Ano: O ator conquistou o júri de críticos internacionais, consolidando-se como um dos favoritos para a lista do Oscar.
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Segunda Estatueta: O Brasil volta ao topo da categoria de língua não-inglesa no Globo de Ouro após um hiato de 27 anos.
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O Enredo: Ambientado no Recife de 1977, o filme acompanha um professor que tenta fugir de um passado misterioso, mas acaba vigiado e cercado pelo caos.
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Calendário do Oscar: Os indicados serão revelados no dia 22 de janeiro, com a cerimônia final marcada para 15 de março de 2026.
Um filme sobre memória e valores
Durante a entrega dos prêmios, Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura ressaltaram o papel político e social da arte. Moura destacou que “O Agente Secreto” utiliza o suspense para falar sobre as camadas de silenciamento e as cicatrizes deixadas por períodos autoritários, mesmo sem mencionar explicitamente a ditadura. Para a crítica Flávia Guerra, a vitória foi justa diante de concorrentes fortes da Noruega e da Tunísia. Agora, o desafio será conquistar os 10 mil votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, cujo perfil é mais voltado para profissionais da indústria estadunidense, mas que tem demonstrado maior abertura para a diversidade global nos últimos anos.
Com informações: Olhar Digital