Especialista em contorno corporal, Dr. Ezio Carneiro Junior, detalha como o cérebro e os hormônios interpretam o emagrecimento como uma ameaça, ativando mecanismos para recuperar a gordura perdida.
Para muitos, o reganho de peso é visto como uma falha de caráter ou falta de disciplina. No entanto, evidências científicas robustas mostram que a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante. Segundo o Dr. Ezio Carneiro Junior, o corpo humano possui mecanismos de defesa biológica programados para proteger nossas reservas de energia, dificultando a manutenção do peso após o emagrecimento.
Quando perdemos peso, o organismo não entende isso como um benefício estético ou de saúde, mas como um estado de inanição ou ameaça à sobrevivência. Para “salvar” o indivíduo, o corpo ativa o que a ciência chama de adaptação metabólica.
O comando central: O Hipotálamo
O controle do peso é regulado pelo hipotálamo, região do cérebro que integra sinais de fome e saciedade. Após a perda de peso, o hipotálamo altera a sinalização neural:
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Neurônios Orexigênicos: São ativados, disparando uma fome persistente.
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Neurônios Anorexigênicos: São inibidos, reduzindo a sensação de satisfação após as refeições.
A guerra dos hormônios
Diversas substâncias químicas circulam no sangue para informar ao cérebro o estado das nossas reservas de energia. No emagrecimento, essa comunicação sofre alterações profundas:
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Leptina (O freio da fome): Produzida pela gordura, ela avisa que estamos saciados. Ao perder gordura, os níveis de leptina despencam, o que o cérebro interpreta como “estoque vazio”, aumentando o apetite e reduzindo o gasto de energia.
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Grelina (O acelerador da fome): Conhecida como o “hormônio da fome”, seus níveis sobem após a perda de peso, estimulando o desejo por alimentos calóricos (açúcares e gorduras).
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Hormônios Intestinais (GLP-1, PYY e CCK): Responsáveis pela saciedade pós-refeição, esses hormônios têm sua ação reduzida, fazendo com que a pessoa demore mais para se sentir cheia.
Termogênese Adaptativa: O metabolismo “econômico”
Outro obstáculo é a desaceleração metabólica. O Dr. Ezio explica que, após perder peso, o corpo passa a gastar menos calorias do que o esperado para aquele novo tamanho. O metabolismo torna-se extremamente eficiente em poupar energia. Na prática, se duas pessoas pesam 70kg, mas uma sempre pesou isso e a outra acabou de emagrecer vindo dos 100kg, a segunda precisará comer muito menos para manter o peso, pois seu corpo está em “modo econômico”.
O tecido adiposo “não esquece”
As células de gordura (adipócitos) não desaparecem com a dieta; elas apenas murcham. Elas permanecem no corpo como “balões vazios”, metabolicamente preparados para estocar gordura rapidamente assim que houver um aumento na ingestão calórica. Além disso, a inflamação crônica associada à obesidade interfere na sinalização correta desses hormônios, perpetuando o ciclo de reganho.
O caminho para o tratamento eficaz
Entender que o reganho de peso tem base biológica retira o peso da culpa dos pacientes e reforça que soluções pontuais ou “dietas milagrosas” raramente funcionam a longo prazo. O tratamento moderno da obesidade em 2026 exige:
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Acompanhamento contínuo: Por ser uma doença crônica, o cuidado não termina quando o peso alvo é atingido.
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Terapias Farmacológicas: Uso de medicamentos que mimetizam hormônios de saciedade (como análogos de GLP-1) para silenciar a fome biológica.
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Estilo de Vida Sustentável: Exercícios físicos que ajudem a combater a desaceleração metabólica e melhorem a sensibilidade hormonal.
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Cirurgia Bariátrica e Contorno Corporal: Em casos indicados, como parte de um plano integrado de saúde global.
Com informações: Dr. Ezio Carneiro Junior, Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
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05/08/2025 em 13:22
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