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Leão 14: a origem do nome escolhido pelo novo papa

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Ao ser eleito o 267º papa da Igreja Católica, o cardeal norte-americano Robert Prevost escolheu o nome pontifício Leão 14 para marcar seu papado. Segundo ele, a decisão sinaliza seu compromisso com a justiça social diante dos desafios da nova revolução industrial e da inteligência artificial.

Em discurso aos membros do Colégio de Cardeais neste sábado (10/05) ele confirmou a expectativa de especialistas de que sua escolha reflete uma retomada do trabalho do papa Leão 13, que liderou a Igreja Católica de 1878 a 1903 e lançou as bases do pensamento social católico moderno com a sua encíclica Rerum Novarum.

No documento publicado em 1891, Leão 13 abordou temas como a dignidade humana, direitos dos trabalhadores e fez críticas ao capitalismo do início da era industrial. Ele também chamou a igreja a defender a classe trabalhadora por meio da promoção de sindicatos.

“Há várias razões, mas a principal é o fato de o papa Leão 13, com a histórica encíclica Rerum Novarum, ter abordado a questão social no contexto da primeira grande revolução industrial”, disse o novo pontífice de 69 anos.

“Hoje a Igreja oferece a todos o seu patrimônio de doutrina social para responder a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial, que trazem novos desafios na defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho”, continuou.

A defesa social de Leão 13

A escolha Leão 14 já era vista por especialistas como um indicativo de seu compromisso com as questões sociais.

“Ao escolher o nome Leão 14, ele mostra que está comprometido com o ensinamento social da igreja, que foi fundado por seu antecessor Leão 13”, afirmou Thomas Reese, padre norte-americano e especialista em Vaticano, ao jornal The Washington Post.

Já o padre John Lydon, ex-companheiro de casa do cardeal norte-americano, também disse à CNN que acredita que Prevost escolheu o nome Leão “para se conectar ao primeiro papa que nos deu o ensinamento social católico da Igreja”.

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Além da defesa dos trabalhadores, Leão 13 também atendeu a um apelo de um abolicionista brasileiro e publicou uma carta em 5 de maio de 1888 pedindo o fim da escravidão no Brasil. O principal argumento do pontífice era que o regime escravocrata era contrário aos princípios do cristianismo.

Continuidade do trabalho de Francisco

Para Natalia Imperatori-Lee, presidente do departamento de estudos religiosos da Universidade de Manhattan, a referência a Leão 13 remete à continuidade do trabalho do falecido papa Francisco.

Ouvido pela CNN norte-americana, o padre Art Purcaro, um amigo de Robert Prevost, também vê relação da escolha com o “pensamento social” do predecessor. Para ele, o novo pontífice “quer continuar o papel que o papa Francisco” desempenhou na promoção da justiça social.

Neste sábado, Leão 14 abordou o tema com os cardeais. Ele prometeu seguir o estilo de Francisco de “dedicação total ao serviço”, como “humilde servo de Deus e dos irmãos”.

A doutrina e diplomacia de Leão 1°

Outro predecessor de Leão 14, o primeiro a escolher esse nome papal, Leão 1°, ficou conhecido por ter impedido a invasão bárbara de Átila, o Huno, em 452 d.C., convencendo-o a não saquear Roma por meio da diplomacia, contou o cardeal italiano Maurizio Piacenza à emissora estatal italiana RAI, relacionando-o ao perfil pacificador do novo papa.

Leão 1° foi um dos principais pontífices por ter defendido a autoridade papal sobre a Igreja e estabelecido a doutrina da dupla natureza de Cristo (visto como Deus e também como homem). Após sua morte, foi canonizado São Leão Magno. Ele é o primeiro papa listado com o título de “O Grande” no Annuário Pontifício, compêndio da hierarquia da Igreja.

Para especialistas, a preocupação dos papas que usaram o nome Leão com a eclesiologia, ou seja, a doutrina da Igreja, também pode dar o tom do papado de Leão 14.

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Isso porque Prevost é agostiniano — ordem mendicante que tem atuação pastoral missionária — mas também doutor em Direito Canônico pela tradicional Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino. Tal perfil alia tanto o olhar social quanto a tradição e preocupação com a doutrina católica.

Como os papas escolhem seu nome pontifício?

Como a DW mostrou, a escolha do nome costuma dar o tom adotado pelo pontífice em seus anos à frente da Igreja Católica. Foi o que aconteceu com Francisco, que contou ter adotado a alcunha de São Francisco de Assis, uma forma de orientar seu trabalho a uma igreja mais próxima dos pobres. Ele e o papa João Paulo foram os únicos a eleger um nome inédito desde o ano 914.

Durante a maior parte do primeiro milênio da Igreja Católica, os papas usavam seus nomes de batismo. A primeira exceção ocorreu no século 4, com o romano Mercúrio, que havia recebido o nome de um deus pagão e optou pelo mais apropriado João 2°.

A prática de adotar um novo nome se consolidou no século 11, um período de papas alemães que escolhiam nomes por “um desejo de expressar continuidade”, explicou Roberto Regoli, historiador da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma à agência de notícias AP.

Por muitos séculos, os novos papas tendiam a escolher o nome de quem os havia elevado a cardeal. João foi o mais popular, escolhido por 23 papas, seguido por Bento e Gregório, com 16 cada.

Segundo Regoli, foi a partir da metade do século 20 que os papas passaram a escolher nomes que expressassem o propósito de seus papados.


Fonte: Opera Mundi

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10 Comentários

1 comentário

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Mundo

Venezuela reforma Lei de Hidrocarbonetos para atrair investimentos e saltar na produção de petróleo

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Presidente interina Delcy Rodríguez defende novo marco legal para transformar as maiores reservas do mundo em riqueza efetiva; meta é colocar o país ao lado de potências como Rússia e Estados Unidos

A Venezuela deu um passo decisivo para tentar recuperar seu protagonismo no mercado energético global. Na última segunda-feira (26 de janeiro de 2026), a presidente interina e Ministra de Hidrocarbonetos, Delcy Rodríguez, liderou uma consulta pública sobre a reforma parcial da Lei de Hidrocarbonetos Orgânicos. O objetivo é consolidar modelos de gestão que permitam atrair capital privado sem abrir mão da soberania estatal sobre o recurso.

A proposta busca atualizar uma legislação de 2002, incorporando mecanismos criados sob a chamada “Lei Antibloqueio”. Segundo Rodríguez, a Venezuela precisa deixar de ostentar apenas o título de detentora das maiores reservas do planeta para se tornar, de fato, uma grande produtora, competindo diretamente com Arábia Saudita, Rússia e Estados Unidos.

Modelos de Gestão e o Sucesso da Chevron

Um dos pilares da reforma são os Contratos de Participação Produtiva (CPP). O governo defende que esse modelo protege o investidor privado enquanto o Estado preserva a propriedade do petróleo.

Para ilustrar a eficácia do plano, Rodríguez citou exemplos práticos de 2025:

  • Empresa Nabep: Saltou de uma produção de 23 mil barris em 2024 para 110 mil barris diários em dezembro de 2025, com investimento superior a US$ 1,7 bilhão.

  • Chevron: Operando sob as novas diretrizes, a gigante americana alcançou sua maior produção em solo venezuelano nos últimos 25 anos.

Metas Ambiciosas para 2026

Apesar das sanções internacionais e do que o governo classifica como “bloqueio ilegal”, a Venezuela conseguiu atingir a marca de 1.200.000 barris por dia. Os planos para 2026 são ainda mais robustos:

  • Investimentos: Atrair US$ 1,4 bilhão em novos aportes através de Acordos de Parceria de Produção Conjunta.

  • Produção: Apenas através da CPP gerida pela Nabep, projeta-se superar os 300 mil barris diários até o fim deste ano.

  • Soberania: O deputado Orlando Camacho reforçou que “o país não precisa investir dinheiro público; o risco e os recursos são do setor privado”, enquanto a propriedade do óleo continua pertencendo ao povo venezuelano.

Realidade Econômica e Geopolítica

A reforma também prevê condições especiais para investimentos em áreas remotas, reconhecendo que a Venezuela precisa ser competitiva frente a outros produtores globais. Empresas como a espanhola Repsol já manifestaram interesse nos novos modelos de gestão.

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Para Delcy Rodríguez, a realidade do crescimento produtivo “fala por si só” e justifica a modernização da lei. “De nada serve o título de país com as maiores reservas se isso não se traduz em desenvolvimento para a Venezuela”, concluiu a presidente interina.


Com informações: Opera Mundi, Assessoria de Imprensa da Presidência (Venezuela).

 

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Brasil

Brasileiro é preso pelo ICE durante entrevista de Green Card nos EUA

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Matheus Silveira, casado com uma veterana do Exército americano, foi detido em San Diego; casal planeja recomeçar a vida no Rio de Janeiro após acordo de saída voluntária

O sonho da residência permanente nos Estados Unidos tornou-se um pesadelo para o brasileiro Matheus Silveira, de 30 anos. No último dia 24 de novembro, durante o que deveria ser a etapa final para a obtenção de seu Green Card em San Diego, Califórnia, Matheus foi detido por agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement) dentro do escritório de imigração (USCIS).

Matheus é casado com Hannah Silveira, advogada e veterana do Exército dos EUA. Segundo relatos de Hannah à imprensa, a entrevista corria bem e o pedido de residência parecia aprovado quando agentes invadiram a sala com um mandado de prisão. O motivo: Matheus teria permanecido no país ilegalmente após o vencimento de seu visto de estudante (F-1) durante a pandemia de COVID-19.

Detalhes da Detenção e Status Legal

A prisão gerou forte indignação na família, especialmente pelo uso de termos técnicos pelo Departamento de Segurança Interna (DHS).

  • Acusação Oficial: O governo americano classificou Matheus como um “estrangeiro ilegal criminoso”. A família contesta veementemente o termo, afirmando que ele não possui antecedentes criminais e que a infração foi estritamente imigratória.

  • Saída Voluntária: Para evitar uma deportação formal — que dificultaria ainda mais qualquer tentativa futura de regularização — Matheus aceitou o benefício da saída voluntária.

  • Penalidade: Como consequência do acordo e do tempo de permanência irregular, ele está proibido de retornar aos Estados Unidos pelos próximos 10 anos.

Mudança de Planos: Destino Rio de Janeiro

Diante da impossibilidade de permanecerem juntos nos EUA, o casal decidiu se mudar para o Brasil assim que Matheus for liberado do Centro de Detenção de Otay Mesa.

  1. Carreira de Matheus: Ele pretende retomar os estudos na área de aviação para se tornar piloto comercial em solo brasileiro.

  2. Desafio de Hannah: Como advogada formada nos EUA, Hannah enfrenta o obstáculo de não ter seu diploma reconhecido automaticamente no Brasil, o que a obrigará a buscar uma nova trajetória profissional.

  3. Sentimento de Traição: Hannah, que serviu como paramédica militar, declarou sentir-se “enganada” pelas autoridades federais, que utilizaram uma entrevista de regularização como armadilha para a prisão.

Resumo do Caso (Janeiro de 2026)

Personagem Perfil Situação Atual
Matheus Silveira Brasileiro, 30 anos Detido em San Diego aguardando remoção.
Hannah Silveira Americana, Veterana e Advogada Organizando a mudança para o Brasil.
Local da Prisão Escritório do USCIS San Diego, Califórnia.
Consequência Banimento de 10 anos Proibição de reentrada nos EUA até 2036.


Com informações: Portal G1, Newsweek e Direito News

 

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Mundo

Fim do impasse: TikTok finaliza cisão nos EUA e transfere controle para americanos

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Sob nova estrutura de joint venture, Oracle e gestoras dos EUA passam a deter a maioria do capital, encerrando anos de ameaças de banimento e disputas entre Washington e Pequim

O TikTok anunciou oficialmente nesta quinta-feira (22) a conclusão da reestruturação de suas operações em solo americano. A medida, que transfere o controle da versão dos EUA para um grupo de investidores majoritariamente ocidentais, é o capítulo final de uma longa batalha geopolítica. Com a nova configuração, a plataforma garante sua permanência no país, atendendo às exigências de segurança nacional impostas pelo governo de Donald Trump.

A nova entidade, batizada de TikTok USDS Joint Venture LLC, terá uma composição societária fragmentada para evitar que qualquer empresa chinesa exerça controle majoritário. A ByteDance, antiga controladora total, reduziu sua participação para 19,9%, ficando abaixo do limite de controle estrangeiro. O restante do capital está dividido entre gigantes da tecnologia e fundos de investimento americanos.

A Nova Estrutura Societária (2026)

A joint venture é liderada por um trio de investidores estratégicos, cada um com 15% de participação:

  • Oracle: Além de investidora, será a parceira oficial de infraestrutura e segurança.

  • Silver Lake: Renomada gestora de ativos focada em tecnologia.

  • MGX: Fundo de investimento especializado em inteligência artificial.

  • Outros Investidores: Incluem o Dell Family Office, General Atlantic e o empresário Xavier Niel.

Salvaguardas de Segurança e Algoritmo

Para aplacar as preocupações da Casa Branca sobre espionagem e influência estrangeira, o acordo estabeleceu protocolos rígidos:

  1. Soberania de Dados: Todos os dados de 170 milhões de usuários americanos serão armazenados exclusivamente na nuvem da Oracle em território dos EUA.

  2. Independência do Algoritmo: A joint venture será responsável por re-treinar e atualizar o algoritmo de recomendação usando apenas dados locais, sob auditoria constante.

  3. Moderação Autônoma: As políticas de trust & safety (confiança e segurança) serão decididas pela nova diretoria americana, sem interferência da sede em Pequim.

  4. Escopo Ampliado: As mesmas regras de segurança valerão para outros apps da ByteDance nos EUA, como o editor de vídeos CapCut e a rede social Lemon8.

Liderança e Governança

A empresa terá um conselho de sete membros, com maioria americana, e será presidida por executivos com experiência em proteção de dados e tecnologia.

Cargo Nome Origem/Experiência
CEO da TikTok USDS Adam Presser Executivo sênior do TikTok
Diretor de Segurança Will Farrell Especialista em proteção de dados
Pres. Comitê de Segurança Raul Fernandez Presidente da DXC Technology
Membro do Conselho Shou Chew CEO Global do TikTok

O Impacto Político

A conclusão do negócio é vista como uma vitória diplomática. O presidente Donald Trump, que anteriormente defendeu o banimento total, mudou sua postura após a reestruturação, chegando a utilizar a plataforma durante sua campanha em 2024. Por outro lado, o governo chinês aceitou o acordo sob a justificativa de que as negociações seguiram “regras de mercado”, evitando um conflito comercial ainda maior entre as duas potências.

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Com informações: Olhar Digital e Business Insider

 

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